Movimento de indignados na Espanha, Grécia e Israel: Da indignação à preparação dos combates de classe

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No artigo editorial da Revista Internacional nº 146 dávamos conta da luta desenvolvida na Espanha.[1] Pouco depois, seu exemplo contagiou a Grécia e Israel.[2] Neste artigo nos propomos tirar lições destes movimentos e ver que perspectivas colocam diante de uma situação de quebra do capitalismo e de ataques implacáveis ao proletariado e à grande maioria da população mundial.

Para compreendê-los é indispensável rejeitar categoricamente o método predominante na sociedade atual, profundamente imediatista e empirista, no qual se vê cada acontecimento em si mesmo, desvinculado tanto do passado como do futuro e limitado ao país onde tem lugar. Este método fotográfico é um reflexo da degeneração ideológica da classe capitalista, pois: "(...) o único projeto que esta classe é capaz de propor à sociedade é o de resistir dia a dia, golpe a golpe e sem esperança de êxito, ao afundamento do modo de produção capitalista". [3]

Uma fotografia nos mostrará um protagonista feliz que exibe um amplo sorriso, mas ele pode ocultar tanto a careta de desgosto que tinha um segundo antes ou o rito de preocupação um segundo depois. Não podemos ver os movimentos sociais com esse enfoque. É preciso vê-los à luz do passado que os fez amadurecer e do futuro para o qual apontam, é preciso concebê-los em escala mundial e não dentro do poço nacional onde ocorrem; e, sobretudo, deve-se compreender sua dinâmica, não no que são num momento dado, senão no que podem vir a ser, dadas as tendências, forças e perspectivas que carregam consigo e que virão à tona, mais cedo ou mais tarde.

O proletariado será capaz de responder à crise em que se afunda o capitalismo?

No começo do século XXI escrevemos uma série de dois artigos intitulada Por que o proletariado ainda não derrubou o capitalismo? [4]. Nela recordávamos que a revolução comunista não é uma fatalidade, sua realização necessita da união de dois fatores, o objetivo e o subjetivo. O objetivo é proporcionado pela decadência do capitalismo [5] e pelo "desenvolvimento de uma crise aberta da sociedade burguesa, prova evidente de que as relações de produção capitalista devem ser substituídas por outras relações de produção[6]. O subjetivo está baseado na ação coletiva e consciente do proletariado.

O artigo reconhece que o proletariado falhou nas convocações que a história lhe fez. Assim, diante da primeira – a Primeira Guerra Mundial – a tentativa de resposta – a onda revolucionária mundial de 1917-23 – foi finalmente esmagada; diante da segunda – a Depressão de 1929 – esteve totalmente ausente como classe autônoma; diante da terceira – a Segunda Guerra Mundial – não apenas esteve ausente, mas acreditou que a democracia e o estado do bem-estar – mitos manipulados pelos vencedores – eram uma vitória. Depois, com a volta da crise no final dos anos 1960, "(...) não falhou à convocação, mas também pudemos medir a quantidade de obstáculos que teve diante de si e que frearam sua progressão no caminho em direção à revolução proletária[7]. Este freio pôde ser comprovado diante de um novo acontecimento de grande envergadura – em 1989, a queda dos regimes falsamente apresentados como "comunistas" – frente à qual não apenas não foi um fator ativo, senão que, além disso, foi vítima de uma formidável campanha anticomunista que o fez retroceder, tanto em sua consciência quanto em sua combatividade.

A partir de 2007 abre-se o que poderíamos chamar de "a quinta convocação da história". A crise que se manifesta mais abertamente mostra o fracasso, praticamente definitivo, das políticas que o capitalismo havia lançado para acompanhar a emergência de sua crise econômica insolúvel. O verão de 2011 colocou em evidência que as enormes somas empregadas não estancam a hemorragia e o capitalismo está escorregando pela ladeira da Grande Depressão, de uma gravidade muito superior à de 1929.[8]

Mas num primeiro momento, apesar dos golpes que chovem sobre ele, o proletariado parece igualmente ausente. Previmos esta reação em nosso XVIII Congresso Internacional (2009): "em um primeiro momento, serão provavelmente combates desesperados e relativamente isolados, embora se beneficiem de uma simpatia real de outros setores da classe trabalhadora. Por isso, se, no período vindouro não assistirmos a uma resposta de envergadura diante dos ataques, não deveremos por isso considerar que a classe há renunciado em lutar pela defesa dos seus interesses. Em uma segunda etapa, quando será capaz de resistir às chantagens da burguesia, quando se imporá a ideia de que só a luta unida e solidária pode frear a brutalidade dos ataques da classe dominante, sobretudo quando esta vai tentar fazer com que os trabalhadores paguem os colossais déficits orçamentários que estão se acumulando por causa dos planos de salvação dos bancos e retomada da economia, será então que combates operários de grande amplitude poderão desenvolver-se melhor[9].

No entanto, os movimentos atuais na Espanha, Israel e Grécia mostram que o proletariado está começando a assumir essa "quinta convocação da história", a preparar-se para ela, a dotar-se dos meios para vencer! [10]

Na série antes citada, dizíamos que dois dos pilares nos quais o capitalismo – ao menos nos principais países – apoiou-se para manter subjugado o proletariado eram a democracia e o que se costuma chamar de "Estado do bem-estar". Contudo, o que revelam os três movimentos é que esses pilares começam a ser questionados – ainda que de forma muito confusa – por seus participantes, o que vai ser alimentado pela evolução catastrófica da crise.

O questionamento da democracia

Nos três movimentos destacou-se a raiva contra os políticos e, em geral, contra a democracia. Também se manifestou a indignação porque os ricos e seu pessoal político estão cada vez mais ricos e mais corruptos; foi rechaçado que a grande maioria seja tomada por uma mercadoria a serviço dos lucros escandalosos da minoria exploradora, mercadoria que se atira à miséria quando os "mercados não vão bem", enfim, foram denunciados os programas de austeridade brutais dos quais ninguém fala nas campanhas eleitorais e, no entanto, são a principal ocupação daqueles que ganham as eleições.

É evidente que esses sentimentos não são nenhuma novidade: falar mal dos políticos é, por exemplo, algo que vem se dando de forma muito generalizada nos últimos 30 anos. Igualmente está claro que esses sentimentos podem ser desviados para becos sem saída como tentaram insistentemente as forças burguesas que operam nos três movimentos: em direção de uma democracia "mais participativa" em direção de uma "regeneração da democracia" etc.

Mas o que resulta uma novidade significativa é que esses temas que, queira ou não, apontam para um questionamento da democracia, do Estado burguês e seus aparelhos de dominação, são objeto de debates em Assembleias Massivas. Não é o mesmo ruminar o cansaço da democracia de forma fragmentada, passiva e resignada, que abordar a questão coletivamente em debates nas assembleias. Mais além das falsas respostas, das confusões, dos becos sem saída, que indubitavelmente circulam nelas e que devem ser debatidos com a maior energia e paciência, o importante é que o problema se coloque publicamente porque leva em germe uma evidente politização de grandes massas e, de outro lado, encerra o princípio de questionar a democracia, que tantos serviços prestou ao capitalismo ao longo do último século.

O final do suposto "Estado do bem-estar"

Depois da Segunda Guerra Mundial, o capitalismo instaurou o denominado "Estado do bem-estar" [11]. Este foi um dos principais pilares da dominação capitalista nos últimos 70 anos. Produziu a ilusão de que o capitalismo teria superado seus aspectos mais brutais: o Estado-providência garantiria uma segurança diante do desemprego e da aposentadoria e proporcionaria, além disso, saúde e educação gratuitas, moradias sociais, etc..

Esse "Estado Social" – complemento da democracia política – já sofreu amputações significativas nos últimos 25 anos, nos quais a situação atual se encaminha em direção ao seu puro e simples desaparecimento. Na Grécia, na Espanha e em Israel (neste último país mais polarizado sobre o grave problema da escassez de moradia para os jovens), a inquietude por essa eliminação de mínimos sociais esteve no centro das mobilizações. É claro que se tentou desviá-las em direção a "reformas" da constituição, à obtenção de leis que "garantam" tais benefícios, etc. Mas a onda de inquietude crescente ajudará a questionar esses diques com que se pretende controlar os trabalhadores.

Os movimentos de indignados, ápice de 8 anos de lutas

O câncer do ceticismo domina a ideologia atual e infecta igualmente o proletariado e suas próprias minorias revolucionárias. Como já dissemos mais acima, o proletariado faltou a todas as convocações que durante quase um século de decadência capitalista a história lhe fez. Isto provoca em suas fileiras uma dúvida angustiante sobre sua própria identidade e capacidades como classe a ponto de em muitos ambientes combativos se chegar até a rejeitar o termo "classe operária"! [12] Mas este ceticismo é ainda mais forte porque é alimentado pela decomposição do capitalismo [13]: a desesperança, a ausência de todo projeto concreto de futuro, favorecem a incredulidade e a desconfiança em relação a toda perspectiva de ação coletiva.

Os movimentos da Espanha, Israel e Grécia – com todas as debilidades que arrastam – começam a ministrar um remédio eficaz contra o câncer do ceticismo. Não unicamente em si mesmos, mas pelo que significam em uma continuidade de lutas e esforços de consciência que vêm dando no proletariado mundial desde 2003! [14] Não são uma tormenta que explode repentinamente num céu azul, mas a demonstração de que as pequenas nuvens, chuvas finas, tímidos relâmpagos dos últimos 8 anos se condensaram e alcançaram uma nova qualidade,.

Desde 2003, o proletariado começa a se recuperar do longo retrocesso da combatividade e da consciência induzidos pelos acontecimentos de 1989. Este processo de recuperação segue num ritmo lento, contraditório e muito sinuoso. Manifesta-se em:

  •   Uma sucessão de lutas fragmentadas em diferentes países, tanto do centro como da periferia, que manifestam características "carregadas de futuro": busca da solidariedade, tentativas de auto-organização, presença das novas gerações, reflexão e inquietude diante do futuro;
  • Um desenvolvimento de minorias internacionalistas que buscam uma coerência revolucionária, que se colocam perguntas e vão tomando contato entre si, debatem, abrem perspectivas...

Em 2006 surgem dois movimentos – na França a luta dos estudantes contra o Contrato de Primeiro Emprego e na Espanha a greve massiva de Vigo [15] que, apesar da distância, da diferença de condição ou idade, apresentam características similares: Assembleias Gerais, extensão a outras camadas operárias, massividade dos protestos... É como um primeiro abalo que, na aparência, não tem continuidade. [16]

Um ano depois estoura uma embrionária greve de massas no Egito, a partir de uma grande fábrica têxtil.[17] No começo de 2008 têm lugar lutas isoladas, mas coincidentes em um bom número de países, tanto da periferia como do centro do capitalismo. Outro elemento destacável é a proliferação de revoltas de fome em 33 países no primeiro trimestre de 2008, que no caso do Egito são apoiadas e em parte dirigidas pelo proletariado. No final de 2008, estoura a revolta da juventude proletária da Grécia, apoiada por minorias de operários. Em 2009 vemos germes de atitudes internacionalistas em Lindsay (Grã-Bretanha) e uma explosiva greve generalizada no sul da China (junho de 2009).

Depois do retrocesso inicial do proletariado pelo primeiro impacto da crise, como assinalamos antes, ele começou a lutar de forma muito mais decidida: na França, no outono de 2010, ocorrem protestos massivos contra a reforma das pensões com o aparecimento de tentativas de Assembleias interprofissionais; a juventude britânica se rebela em dezembro de 2010 contra o brutal aumento das taxas escolares. 2011 mostra as grandes revoltas sociais no Egito e na Tunísia. Parecia que o proletariado estava tomando impulso para uma nova explosão: o movimento de indignados da Espanha e depois na Grécia e Israel.

Trata-se de um movimento que pertence à classe operária?

Estes três movimentos não podem ser compreendidos sem tudo o que acabamos de analisar. São como um primeiro quebra-cabeças que une as pequenas peças adquiridas ao longo de 8 anos. Mas a força do ceticismo é grande e muitos se perguntam: como qualificá-los de movimentos de classe se não se apresentam como tais e não partem, nem por regra geral suscitam greves ou assembleias nos centros de trabalho?

Na Espanha, na Grécia e em Israel o movimento chama a si mesmo de "indignados", conceito válido para a classe operária [18], mas que não revela imediatamente tudo aquilo que é portador. Sua aparência é a de uma revolta social devida essencialmente a dois fatores:

A perda da identidade como classe

O proletariado passou por um longo retrocesso que lhe infligiu um dano significativo na sua confiança em si mesmo e na consciência de sua própria identidade: "Após a queda do bloco do Leste e dos supostos regimes "socialistas", as campanhas ensurdecedoras sobre "o fim do comunismo", quando não "da luta de classes", deram um golpe brutal na consciência e na combatividade da classe trabalhadora. O proletariado sofreu então um profundo retrocesso em ambos os planos, que se propagou por mais de dez anos. (...) Por outro lado, a burguesia conseguiu fazer nascer entre a classe operária um forte sentimento de impotência devido à incapacidade dela desenvolver lutas massivas"[19] Isso explica em parte porque a participação do proletariado como classe não foi dominante no movimento de indignados, no entanto ele esteve presente através da participação de indivíduos operários (assalariados, grevistas, aposentados, estudantes...) que trataram de esclarecer, de se implicar de acordo com seus instintos, mas que carecem da força, da coesão, da clarividência que proporciona o assumir-se coletivamente como classe.

Essa perda de identidade faz que o programa, a teoria, as tradições, os métodos do proletariado, não sejam reconhecidos como próprios pela imensa maioria dos operários. Por isso, a linguagem, as formas de ação, até os símbolos que aparecem no movimento de indignados bebem de outras fontes. Isto significa um lastro perigoso que deve ser combatido pacientemente para que se produza uma reapropriação crítica de todo o acervo teórico, de experiência, das tradições, que o movimento operário acumulou ao longo de dois séculos.

A presença de camadas sociais não proletárias

Entre os indignados há uma forte presença de camadas sociais não proletárias, em particular uma classe média em claro processo de proletarização. Com relação a Israel, nosso artigo sublinhava: "Outro elemento é o de etiquetá-los como movimento de "classe média" para minimizar sua importância. É claro que, como ocorreu em outros lugares, observa-se uma ampla revolta social que pode expressar a insatisfação de diferentes camadas da sociedade, do pequeno empresário ao operário, todos afetados pela crise mundial, a crescente separação entre ricos e pobres, e, num país como Israel, a piora das condições de vida pela demanda insaciável da economia de guerra. Mas "classe média" converteu-se em um termo abstrato, que pode se referir a qualquer um com estudos ou um emprego, e em Israel, no norte da África, Espanha ou Grécia, crescentes setores de jovens que estudaram se veem empurrados para as fileiras do proletariado, trabalhando em empregos precários, se é que encontram trabalho onde qualquer um pode ser contratado". [20]

Se o movimento parece ser vago e indefinido, isso não nega seu caráter de classe, sobretudo se vemos as coisas em sua dinâmica, na perspectiva de futuro, como apreciam os companheiros do TPTG (Ta Paidia Tis Galarias) a respeito do movimento na Grécia: "O que todo o espectro político encontra de inquietante neste movimento assembleísta é que a ira e a indignação do proletariado de base (e das camadas pequeno-burguesas) já não se expressa através dos canais de mediação dos partidos políticos e dos sindicatos. Portanto, não é tão controlável, e é potencialmente perigoso para o sistema representativo político e sindical em geral[21].

A presença do proletariado não reside em que se constitua a força dirigente do movimento, ou que a mobilização desde os centros de trabalho constitua seu eixo, mas em uma dinâmica de busca, de clareza, de preparação do terreno social, de reconhecimento do combate que se apresenta. Isto é o que marca sua importância mesmo que se saiba que ainda é um pequeno passo, extremamente frágil. Com relação à Grécia, os companheiros do TPTG falam que o movimento "(...) constitui uma expressão da crise das relações de classe e da política em geral. Nenhuma outra luta se expressou de uma maneira mais ambivalente e explosiva nas últimas décadas[22]. Com relação a Israel, um jornalista assinala – em sua linguagem – "não foi a opressão o que manteve a ordem social em Israel, ao menos no que diz respeito à comunidade judaica. Foi a doutrinação – a existência de uma ideologia dominante, para usar um termo apreciado pelos teóricos críticos. E foi esta ordem cultural que foi abalada nestes protestos. Pela primeira vez uma parte importante da classe média judia – é muito cedo para avaliar seu tamanho – reconheceu que seu problema não era em relação a outros israelitas, ou aos árabes, ou a um político concreto, mas com toda a ordem social, com todo o sistema. É neste sentido que se trata de um acontecimento único na história de Israel[23].

As características das lutas futuras

Sob essa ótica, podemos compreender os traços destas lutas que são característicos e que futuras lutas poderão retomar com espírito crítico e desenvolver a um nível muito mais claro: 

  • A entrada em luta das novas gerações do proletariado, mas com uma diferença importante em relação aos movimentos de 1968: enquanto os jovens de então tinham que partir do zero, considerando a geração mais velha como "derrotados e aburguesados", hoje assistimos a um combate conjunto das diferentes gerações da classe operária.
  • A ação direta das massas: a luta ganhou as ruas, as praças foram ocupadas. Nelas os explorados se encontraram de forma direta, puderam conviver, discutir e atuar juntos.
  • O princípio da politização: muito além das falsas respostas que são dadas e que continuarão a ser dadas, o importante é que grandes massas começam a se envolver direta e ativamente nos grandes problemas da sociedade, é o princípio de sua politização como classe.
  • As Assembleias: condizem com a tradição proletária dos Conselhos Operários de 1905 e 1917 que se estenderam para a Alemanha e outros países durante a onda revolucionária mundial de 1917-23. Posteriormente, reapareceram em 1956 na Hungria e em 1980 na Polônia. São o meio de união, de desenvolvimento da solidariedade, da capacidade de compreensão e de decisão das massas proletárias. O slogan "Todo poder às Assembleias" que ficou popular no movimento da Espanha expressa de maneira ainda incipiente a abordagem de questões chave como o Estado, o duplo poder, etc.
  • A cultura do debate: a clareza que inspira a determinação e o heroísmo das massas proletárias não se decreta nem resulta da doutrinação exercida por uma minoria possuidora da verdade, é o fruto combinado da experiência, do combate e especialmente do debate. A cultura do debate esteve muito presente nos três movimentos: tudo foi posto em discussão, nada do político, do social, do econômico, do humano em geral, escapou do olhar destas imensas ágoras improvisadas. Isto, como dissemos na introdução do artigo dos companheiros da Grécia, tem uma enorme importância: "(...) um esforço decidido para contribuir para o aparecimento do que os companheiros do TPTG chamam de uma ‘esfera pública proletária’ que tornará possível que um número crescente de nossos irmãos de classe não apenas encontrem a maneira de resistir aos ataques do capitalismo a nossas vidas, mas também que desenvolva as teorias e ações que nos conduzirão juntos a uma nova forma de vida social". [24]
  • A forma de encarar a questão da violência: o proletariado "(....) foi confrontado desde o começo com a violência extrema da classe exploradora, a repressão quando tentava defender seus interesses, a guerra imperialista, mas também a violência quotidiana da exploração. Ao contrário das classes exploradoras, a classe portadora do comunismo não carrega com ela a violência, e mesmo se não pode se poupar de sua utilização, não está nunca identificando com ela. Em particular, a violência que deverá empregar o proletariado para derrubar o capitalismo, e que deverá utilizar com determinação, é necessariamente uma violência consciente e organizada que deve ser precedida por todo um processo de desenvolvimento de sua consciência e de sua organização, através de várias lutas contra a exploração[25]. Como no movimento de estudantes de 2006, a burguesia tentou em numerosas ocasiões arrastar o movimento de indignados – especialmente na Espanha – à armadilha de enfrentamentos violentos com a polícia, em condições de dispersão e debilidade para, desta forma, poder desacreditar o movimento e facilitar seu isolamento. Estas armadilhas foram evitadas e uma reflexão ativa sobre a questão da violência começou a manifestar-se.[26] 

Debilidades e confusões a combater

Não pretendemos glorificar estes movimentos. Nada mais alheio ao método marxista que fazer de uma determinada luta – por mais importante e rica em lições que seja – um modelo definitivo, acabado e monolítico que simplesmente haveria que seguir cegamente. Olhando lucidamente estes movimentos, compreendemos suas debilidades e problemas.

A presença de uma "ala democrática"

Esta empurra o movimento para a consecução de uma "verdadeira democracia". Esta postura está representada por várias correntes políticas, algumas de direita, como acontece na Grécia. Está claro que os meios de comunicação e os políticos se apoiam nela para fazer com que todo o movimento se identifique com ela.

Nós, revolucionários, temos que combater energicamente as mistificações, as falsas medidas, os argumentos falaciosos, desta postura. No entanto, por que, apesar de tantos anos de enganos, armadilhas e decepções com a democracia, existe ainda uma forte propensão a deixar-se enganar pelos cantos da sereia? Podemos apontar três causas: 

  • 1ª) A participação de camadas sociais não proletárias muito receptivas às mistificações democráticas e ao interclassismo;
  • 2ª) O impacto de confusões e ilusões democráticas muito presentes nos próprios operários, especialmente nos jovens que não puderam desenvolver uma experiência política;
  • 3ª) O peso do que chamamos de decomposição social e ideológica do capitalismo, que favorece a tendência a agarrar-se a um ente "acima das classes e dos conflitos" – que supostamente seria o Estado – o qual poderia contribuir para certa ordem, justiça e mediação.

Mas haveria uma causa mais profunda sobre a que é necessário chamar a atenção. Em O 18 Brumário de Luis Bonaparte, Marx constata que "as revoluções proletárias (...) recuam constantemente ante a magnitude infinita de seus próprios objetivos". [27] Hoje, os acontecimentos estão pondo em evidência a quebra do capitalismo, a necessidade de destruí-lo e construir uma nova sociedade. Isto, para um proletariado que duvida de suas próprias capacidades, que não recobrou sua identidade, leva-o – e o levará por todo um tempo – a agarrar-se a pregos ardentes, a falsas medidas de "reforma" e "democratização", ainda que duvidando delas. Tudo isso, indiscutivelmente, proporciona uma margem de manobra para a burguesia, que lhe permite semear a divisão e a desmoralização e, em consequência, dificulta precisamente a recuperação dessa confiança e dessa identidade de classe.

O veneno do apoliticismo

Trata-se de uma velha debilidade do proletariado que se arrasta desde 1968 e que tem sua raiz na enorme decepção e no profundo ceticismo que produziram a contrarrevolução stalinista e social-democrata e que induz à tendência de crer que toda opção política, incluída a que se reivindica do proletariado, é um vil engano, conteria em seu núcleo o verme da traição e da opressão. Isto é explorado pelas forças burguesas que atuam dentro do movimento para, ocultando sua própria identidade e impondo a farsa de que "intervêm como cidadãos livres", controlar as Assembleias e sabotá-las a partir de dentro. É o que assinalam com clareza os companheiros de TPTG: "No começo havia um espírito comunitário nas primeiras tentativas de auto-organizar a ocupação da praça e, oficialmente, não se tolerava os partidos políticos. No entanto, os esquerdistas e especialmente os da SYRIZA (Coalizão da Esquerda Radical) rapidamente se envolveram na assembleia de Sintagma e tomaram importantes posições no grupo que se formou para gerir a ocupação da praça. Mais concretamente, meteram-se no grupo de ‘secretaria’ e no responsável pela ‘comunicação’. Estes dois grupos são os mais importantes porque organizam a agenda das assembleias, assim como o fluir da discussão. É preciso saber que esta gente não declara abertamente sua filiação política e se apresentam como ‘indivíduos’". [28]

O perigo do nacionalismo

Este está mais presente na Grécia e em Israel. Como denunciam os companheiros do TPTG: "O nacionalismo (sobretudo em sua forma populista) é dominante e é favorecido tanto pelos vários grupos de extrema direita, como pelos partidos de esquerda e de esquerdistas. Inclusive para muitos proletários ou pequeno-burgueses golpeados pela crise que não estão filiados a partidos políticos, a identidade nacional se apresenta como o último refúgio imaginário quando tudo vem abaixo rapidamente. Atrás dos lemas contra o ‘Governo vendido e estrangeiro’ ou pela ‘salvação do país’, pela ‘soberania nacional’ e por uma ‘nova constituição’ subjaz um profundo medo e alienação para a qual a ‘comunidade nacional’ se apresenta como uma solução unificadora mágica".

A reflexão dos companheiros é tão certeira como profunda. A perda de identidade e a falta de confiança do proletariado em suas próprias forças, o processo lento que segue a luta no resto do mundo, favorece esse "agarrar-se à comunidade nacional" como refúgio utópico diante de um mundo inóspito e cheio de incertezas.

Assim, por exemplo, as consequências dos cortes na saúde e educação, dado o problema real de que tais serviços são cada vez piores, são utilizados para enquadrar as lutas nos cárceres nacionalistas de reclamar uma "boa educação" porque isso nos faria competitivos no mercado mundial e uma "saúde a serviço de todos os cidadãos".

O medo e a dificuldade para assumir a confrontação de classe

A ameaça angustiante de desemprego, a precariedade massiva, a fragmentação crescente dos empregados – divididos inclusive no próprio centro de trabalho em uma inextrincável rede de subcontratação numa incrível variedade de modalidades de emprego – exercem um poderoso efeito intimidatório e tornam muito difícil o reagrupamento dos trabalhadores para a luta. Esta situação não pode ser superada nem com chamamentos voluntaristas para a mobilização nem com admoestações aos trabalhadores por sua suposta "comodidade" ou "covardia".

Isso faz que a passagem a uma mobilização massiva de desempregados, precarizados, dos centros de trabalho e estudo, resulte muito mais difícil do que pudesse parecer à primeira vista, provocando uma vacilação, uma dúvida e um agarrar-se a "assembleias" que cada vez são mais minoritárias e cuja "unidade" favorece às forças burguesas que operam dentro delas. Isso dá uma margem de manobra à burguesia para preparar seus golpes baixos contra as Assembleias Gerais. É o que denunciam certeiramente os companheiros do TPTG: "A manipulação da principal assembleia na Praça Sintagma (há outras quantas em vários bairros de Atenas e cidades gregas), por membros não declarados de partidos e organizações de esquerdas é evidente e é um obstáculo real a qualquer direção de classe do movimento. No entanto, devido à profunda crise de legitimação do sistema político de representação em geral, eles também têm que ocultar sua identidade política e manter um equilíbrio entre um discurso geral e abstrato sobre a "autodeterminação", a "democracia direta", a "ação coletiva", o "antirracismo", "a mudança social", etc. de um lado, e o nacionalismo extremo e o comportamento de valentões de alguns indivíduos de extrema direita que participam em grupos da praça". [29]

Olhando serenamente para o futuro

É evidente que "para que a humanidade possa viver, o capitalismo deve morrer[30], mas o proletariado está ainda muito longe de alcançar a capacidade para fazê-lo. O movimento de indignados põe uma primeira pedra.

Na série mencionada no princípio, dizíamos: "(...) uma das razões pelas quais não se realizaram as previsões dos revolucionários sobre o advento da revolução foi que subestimaram a força da classe dirigente, especialmente sua inteligência política[31]. Esta capacidade da burguesia para empregar sua inteligência política contra as lutas segue mais evidente que nunca! Assim, por exemplo, os movimentos de indignados nos três países foram completamente silenciados nos demais ou foi dada uma versão light sobre eles de "renovação democrática". Mas, igualmente, a burguesia britânica foi capaz de aproveitar o descontentamento para canalizá-lo em direção a uma revolta niilista que lhe serviu de álibi para reforçar a repressão e intimidar qualquer resposta de classe. [32]

Os movimentos de indignados puseram uma primeira pedra no sentido de que deram os primeiros passos para que o proletariado recupere a confiança em si mesmo e sua própria identidade como classe. Mas isto está ainda muito longe, pois se necessita para isso do desenvolvimento de lutas massivas, desde um terreno diretamente proletário, que coloquem em evidência que a classe operária é capaz de oferecer uma alternativa revolucionária frente ao desastre do capitalismo e especialmente frente às camadas sociais não exploradoras.

Não sabemos como se chegará a essa perspectiva e devemos estar atentos às capacidades e iniciativas das massas, como ocorreu no caso do movimento 15 M na Espanha. O que sabemos é que para ir em direção a ela, um fator essencial será a extensão internacional das lutas.

Os três movimentos levantaram o germe de uma consciência internacionalista: no movimento de indignados da Espanha falava-se com frequência que sua fonte de inspiração era a Praça Tahrir no Egito [33], ao mesmo tempo em que buscou uma extensão internacional de seu combate – além de se fazer em meio a importantes confusões. Por sua parte, os movimentos de Israel e Grécia declararam de forma explícita que seguiam o exemplo dos indignados da Espanha. Em Israel, os manifestantes portavam cartazes que diziam que "Netanyahu, Mubarak e El Assad são a mesma coisa", o que mostra não somente um princípio de consciência de quem é o inimigo, mas também uma compreensão ao menos inicial de que sua luta tem lugar junto com os explorados desses países e não contra eles no marco da defesa nacional [34]. "Em Jaffa, dezenas de manifestantes árabes e judeus levaram cartazes em hebreu e árabe que diziam ‘Árabes e judeus queremos casas a preços acessíveis’ e ‘Jaffa não é somente para os ricos’ (...) estiveram produzindo protestos de judeus e árabes contra os despejos destes últimos do bairro Sheikh Jarrah. Em Tel Aviv, estabeleceram-se contatos com residentes em campos de refugiados nos territórios ocupados, que visitaram as tendas do movimento e debateram com os manifestantes[35]. Os movimentos no Egito e na Tunísia em um campo, e de Israel no outro campo imperialista, mudam os dados da situação em uma zona que é provavelmente o principal centro de confrontação imperialista do mundo, como diz nosso artigo: "A atual onda internacional de revoltas contra a austeridade capitalista abre as portas a outra solução: a solidariedade de todos os explorados acima das divisões nacionais ou religiosas; luta de classe em todos os países com o fim último de uma revolução mundial que seja a negação de qualquer fronteira nacional e do Estado. Faz um ou dois anos, este fim aparecia como algo utópico no melhor dos casos. Hoje, cada vez mais gente vê uma revolução global como uma alternativa realista a uma ordem capitalista que está desmoronando[36].

Os três movimentos contribuíram para a força de uma ala proletária: tanto na Grécia como na Espanha, mas também em Israel [37], "uma ala proletária" bastante ampla com relação ao passado vai emergindo em busca da auto-organização, a luta intransigente a partir de posições de classe e do combate pela destruição do capitalismo. Os problemas, mas também as potencialidades e perspectivas desta ampla minoria, não podem ser abordadas com consistência no marco deste artigo. O que é evidente é que se constitui uma ferramenta vital que o proletariado produziu para a preparação dos combates futuros.

C. Mir, 23-09-11

[1] Ver As mobilizações dos indignados na Espanha e suas repercussões no mundo: um movimento carregado de futuro <http://pt.internationalism.org/ICConline/2011/mobilizacoes_dos_indignados_na_Espanha>. Na medida em que no referido artigo analisávamos em detalhe esta experiência, não repetiremos o que ali foi desenvolvido.

[3] "Revolução Comunista ou destruição da humanidade" Manifesto do IX Congresso da CCI, 1991.

[4] Revista Internacional, números 103 e 104. http://es.internationalism.org/Rint103/01.htm y http://es.internationalism.org/Rint104-inicio . Em breve publicaremos esses artigos.

[5] Para debater este conceito crucial de decadência do capitalismo, ver entre muitos outros: Decadencia del capitalismo – Para los revolucionarios, la Gran Depresión confirma la caducidad del capitalismo <http://es.internationalism.org/rint146-decadencia> .

[6] Revista Internacional, nº 103, op. cit.

[7] Revista Internacional, nº 104, op. cit.

[8] Ver http://es.internationalism.org/node/3184

[9] Ver Resolução sobre a situação internacional (XVIIIe congresso da CCI) em <http://pt.internationalism.org/ICConline/2009/Resolucao_sobre_a_situacao_internacional_XVIIIe_congresso_da_CCI>

[10] "Privado de todo ponto de apoio econômico no seio da sociedade capitalista, sua única e verdadeira força, além de seu número e organização, é sua capacidade para tomar consciência plena da natureza, dos objetivos e dos meios de seu combate." Revista Internacional nº 103, op. cit.

[11] "As nacionalizações, assim como algumas medidas ‘sociais’ (como a maior carga do Estado no sistema de saúde) eram medidas perfeitamente capitalistas (estas) tinham o maior interesse em dispor de operários em boa saúde (...). Essas medidas capitalistas serão apresentadas como vitórias operárias." Revista Internacional nº 104, op. cit.

[12] Aqui não podemos desenvolver as razões pelas quais a classe operária é a classe revolucionária da sociedade e por que seu combate representa o futuro para todas as demais camadas sociais não exploradoras, uma questão muito candente, como logo veremos, no movimento de indignados. Remetemos como material para o debate a série de dois artigos da Revista Internacional nº 73 e 74 "Quem poderá mudar o mundo?" http://es.internationalism.org/rint73proletariado

[13] Ver Teses sobre a decomposição, Revista Internacional nº 62, http://es.internationalism.org/node/2123

[14] Ver os diferentes artigos de análise da luta de classe em nossa Revista Internacional.

[16] A burguesia esconde cuidadosamente estas experiências: as revoltas de rua niilistas de novembro de 2005 na França são muito mais conhecidas – inclusive nos ambientes politizados – que o movimento consciente dos estudantes 5 meses depois.

[18] A indignação se distingue, por um lado, da resignação e, por outro lado, do ódio. Diante da dinâmica insuportável do capitalismo, a resignação expressa um sentimento passivo – tende-se a rechaçá-lo, mas ao mesmo tempo não se vê como enfrentá-lo. Por sua vez, o ódio expressa um sentimento ativo – a rejeição se transforma em combate – mas trata-se de um combate cego, sem perspectiva e sem uma reflexão para elaborar um projeto alternativo, senão que é meramente destrutivo, abraça uma soma de respostas individuais, mas não gera nada coletivo. A indignação expressa a transformação ativa da rejeição acompanhada pela tentativa de lutar de maneira consciente, buscando a elaboração concomitante de uma alternativa, é, pois, coletiva e construtiva. " A indignação leva à necessidade de uma regeneração moral, de uma mudança cultural, as propostas que se fazem –inclusive embora pareçam ingênuas ou peregrinas – manifestam uma ânsia, ainda tímida e confusa, de "querer viver de outra maneira"("Da Praça Tahrir à Puerta del Sol em  < http://pt.internationalism.org/ICConline/2011/Da_Praca_Tahrir_a_Puerta_de_+Sol >)

[19]  Ver Resolução sobre a situação internacional (XVIIIe congresso da CCI) em  <http://pt.internationalism.org/ICConline/2009/Resolucao_sobre_a_situacao_internacional_XVIIIe_congresso_da_CCI>

[20] Protestas en Israel: “¡Mubarak, Assad, Netanyahu son lo mismo!” Ver: http://es.internationalism.org/node/3185

[21] Notas preliminares para un análisis del “Movimiento de asambleas populares” (TPTG, Grecia). Ver: http://es.internationalism.org/notaspreliminares-tptg

[23] Protestas en Israel: “¡Mubarak, Assad, Netanyahu son lo mismo!” Ver: http://es.internationalism.org/node/3185

[24] Notas preliminares para un análisis del “Movimiento de asambleas populares” (TPTG, Grecia). Ver: http://es.internationalism.org/notaspreliminares-tptg

[25] Teses sobre o movimento dos estudantes da primavera 2006 na França. <http://pt.internationalism.org/icconline/2006_estudiantes_franca>

[26] Ver O que há por trás da campanha contra os violentos pelos incidentes de Barcelona? http://es.internationalism.org/node/3130

[28] Notas preliminares para un análisis del “Movimiento de asambleas populares” (TPTG, Grecia). Ver: http://es.internationalism.org/notaspreliminares-tptg

[29] Ibid.

[30] Slogan da Terceira Internacional.

[31] Revista Internacional nº 104.

[32] Os motins na Inglaterra e a perspectiva sem futuro do capitalismo. Ver: <http://pt.internationalism.org/ICConline/2011/Os_motins_na_Inglaterra_e_a_perspectiva_sem_futuro_do_capitalismo>

[33] A Praça da Catalunha em Barcelona foi rebatizada pela Assembleia de "Praça Tahrir", o que além de mostrar uma vontade internacionalista, foi uma bofetada no nacionalismo catalão, que considera esta Praça seu símbolo mais apreciado.

[34] Citado por nosso artigo sobre a luta em Israel: "Um deles ao ser perguntado se os protestos estavam inspirados pelos acontecimentos nos países árabes, respondeu: ‘Há muita influência do que se passou na Praça Tahrir...Há muita com certeza. Quando a gente compreende que tem o poder, que podemos nos organizar a nós mesmos, que não necessitamos que o governo nos diga o que tem que ser feito, podemos começar a dizer ao governo o que queremos.’"

[35] Ibid.

[36] Ibid.

[37] Neste movimento "Alguns alertaram abertamente do perigo de que o governo possa provocar enfrentamentos armados ou inclusive uma nova guerra para restaurar a ‘unidade nacional’ e dividir o movimento" (ibid.), o que revela – mesmo que seja de forma ainda implícita – um distanciamento da política imperialista do Estado israelita de "união nacional" a serviço da economia de guerra e da guerra.