Movimento de indignados na Espanha, Grécia e Israel: Da indignação à preparação dos combates de classe

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No artigo
editorial da Revista Internacional nº 146 dávamos conta da luta
desenvolvida na Espanha.

[1]


Pouco depois, seu exemplo contagiou a Grécia e Israel.

[2]


Neste artigo nos propomos tirar lições destes movimentos e ver que perspectivas
colocam diante de uma situação de quebra do capitalismo e de ataques implacáveis
ao proletariado e à grande maioria da população mundial.

Para
compreendê-los é indispensável rejeitar categoricamente o método predominante
na sociedade atual, profundamente imediatista e empirista, no qual se vê cada
acontecimento em si mesmo, desvinculado tanto do passado como do futuro e
limitado ao país onde tem lugar. Este método fotográfico é um reflexo da
degeneração ideológica da classe capitalista, pois: "(...) o único
projeto que esta classe é capaz de propor à sociedade é o de resistir dia a
dia, golpe a golpe e sem esperança de êxito, ao afundamento do modo de produção
capitalista
". 

[3]

Uma
fotografia nos mostrará um protagonista feliz que exibe um amplo sorriso, mas
ele pode ocultar tanto a careta de desgosto que tinha um segundo antes ou o rito
de preocupação um segundo depois. Não podemos ver os movimentos sociais com
esse enfoque. É preciso vê-los à luz do passado que os fez amadurecer e do
futuro para o qual apontam, é preciso concebê-los em escala mundial e não
dentro do poço nacional onde ocorrem; e, sobretudo, deve-se compreender sua
dinâmica, não no que são num momento dado, senão no que podem vir a ser,
dadas as tendências, forças e perspectivas que carregam consigo e que virão à
tona, mais cedo ou mais tarde.

O
proletariado será capaz de responder à crise em que se afunda o capitalismo?

No começo do
século XXI escrevemos uma série de dois artigos intitulada Por que o proletariado ainda não derrubou o capitalismo? 

[4]

.
Nela recordávamos que a revolução comunista não é uma fatalidade, sua
realização necessita da união de dois fatores, o objetivo e o subjetivo. O
objetivo é proporcionado pela decadência do capitalismo 

[5]


e pelo "desenvolvimento de uma crise aberta da sociedade burguesa,
prova evidente de que as relações de produção capitalista devem ser
substituídas por outras relações de produção

[6]

.
O subjetivo está baseado na ação coletiva e consciente do proletariado.

O artigo
reconhece que o proletariado falhou nas convocações que a história lhe fez. Assim,
diante da primeira – a Primeira Guerra Mundial – a tentativa de resposta – a
onda revolucionária mundial de 1917-23 – foi finalmente esmagada; diante da
segunda – a Depressão de 1929 – esteve totalmente ausente como classe autônoma;
diante da terceira – a Segunda Guerra Mundial – não apenas esteve ausente, mas acreditou
que a democracia e o estado do bem-estar – mitos manipulados pelos vencedores –
eram uma vitória. Depois, com a volta da crise no final dos anos 1960, "(...)
não falhou à convocação, mas também pudemos medir a quantidade de obstáculos
que teve diante de si e que frearam sua progressão no caminho em direção à revolução
proletária

[7]

.
Este freio pôde ser comprovado diante de um novo acontecimento de grande
envergadura – em 1989, a queda dos regimes falsamente apresentados como "comunistas"
– frente à qual não apenas não foi um fator ativo, senão que, além disso, foi
vítima de uma formidável campanha anticomunista que o fez retroceder, tanto em
sua consciência quanto em sua combatividade.

A partir de
2007 abre-se o que poderíamos chamar de "a quinta convocação da história".
A crise que se manifesta mais abertamente mostra o fracasso, praticamente
definitivo, das políticas que o capitalismo havia lançado para acompanhar a
emergência de sua crise econômica insolúvel. O verão de 2011 colocou em
evidência que as enormes somas empregadas não estancam a hemorragia e o
capitalismo está escorregando pela ladeira da Grande Depressão, de uma
gravidade muito superior à de 1929.

[8]

Mas num
primeiro momento, apesar dos golpes que chovem sobre ele, o proletariado parece
igualmente ausente. Previmos esta reação em nosso XVIII Congresso Internacional
(2009): "em um primeiro momento, serão provavelmente combates
desesperados e relativamente isolados, embora se beneficiem de uma simpatia
real de outros setores da classe trabalhadora. Por isso, se, no período
vindouro não assistirmos a uma resposta de envergadura diante dos ataques, não
deveremos por isso considerar que a classe há renunciado em lutar pela defesa dos
seus interesses. Em uma segunda etapa, quando será capaz de resistir às
chantagens da burguesia, quando se imporá a ideia de que só a luta unida e
solidária pode frear a brutalidade dos ataques da classe dominante, sobretudo
quando esta vai tentar fazer com que os trabalhadores paguem os colossais
déficits orçamentários que estão se acumulando por causa dos planos de salvação
dos bancos e retomada da economia, será então que combates operários de grande
amplitude poderão desenvolver-se melhor

[9]

.

No entanto,
os movimentos atuais na Espanha, Israel e Grécia mostram que o proletariado
está começando a assumir essa "quinta convocação da história", a
preparar-se para ela, a dotar-se dos meios para vencer! 

[10]

Na série
antes citada, dizíamos que dois dos pilares nos quais o capitalismo – ao menos
nos principais países – apoiou-se para manter subjugado o proletariado eram a
democracia e o que se costuma chamar de "Estado do bem-estar". Contudo,
o que revelam os três movimentos é que esses pilares começam a ser questionados
– ainda que de forma muito confusa – por seus participantes, o que vai ser
alimentado pela evolução catastrófica da crise.

O
questionamento da democracia

Nos três
movimentos destacou-se a raiva contra os políticos e, em geral, contra a
democracia. Também se manifestou a indignação porque os ricos e seu pessoal
político estão cada vez mais ricos e mais corruptos; foi rechaçado que a grande
maioria seja tomada por uma mercadoria a serviço dos lucros escandalosos da
minoria exploradora, mercadoria que se atira à miséria quando os "mercados
não vão bem", enfim, foram denunciados os programas de austeridade brutais
dos quais ninguém fala nas campanhas eleitorais e, no entanto, são a principal
ocupação daqueles que ganham as eleições.

É evidente
que esses sentimentos não são nenhuma novidade: falar mal dos políticos é, por
exemplo, algo que vem se dando de forma muito generalizada nos últimos 30 anos.
Igualmente está claro que esses sentimentos podem ser desviados para becos sem
saída como tentaram insistentemente as forças burguesas que operam nos três
movimentos: em direção de uma democracia "mais participativa" em
direção de uma "regeneração da democracia" etc.

Mas o que
resulta uma novidade significativa é que esses temas que, queira ou não,
apontam para um questionamento da democracia, do Estado burguês e seus
aparelhos de dominação, são objeto de debates em Assembleias Massivas.
Não é o mesmo ruminar o cansaço da democracia de forma fragmentada, passiva e
resignada, que abordar a questão coletivamente em debates nas assembleias. Mais
além das falsas respostas, das confusões, dos becos sem saída, que
indubitavelmente circulam nelas e que devem ser debatidos com a maior energia e
paciência, o importante é que o problema se coloque publicamente porque leva em
germe uma evidente politização de grandes massas e, de outro lado, encerra o
princípio de questionar a democracia, que tantos serviços prestou ao
capitalismo ao longo do último século.

O final do suposto
"Estado do bem-estar"

Depois da
Segunda Guerra Mundial, o capitalismo instaurou o denominado "Estado do
bem-estar" 

[11]

.
Este foi um dos principais pilares da dominação capitalista nos últimos 70
anos. Produziu a ilusão de que o capitalismo teria superado seus aspectos mais
brutais: o Estado-providência garantiria uma segurança diante do desemprego e
da aposentadoria e proporcionaria, além disso, saúde e educação gratuitas,
moradias sociais, etc..

Esse "Estado
Social" – complemento da democracia política – já sofreu amputações
significativas nos últimos 25 anos, nos quais a situação atual se encaminha em
direção ao seu puro e simples desaparecimento. Na Grécia, na Espanha e em
Israel (neste último país mais polarizado sobre o grave problema da escassez de
moradia para os jovens), a inquietude por essa eliminação de mínimos sociais
esteve no centro das mobilizações. É claro que se tentou desviá-las em direção
a "reformas" da constituição, à obtenção de leis que "garantam"
tais benefícios, etc. Mas a onda de inquietude crescente ajudará a questionar
esses diques com que se pretende controlar os trabalhadores.

Os movimentos
de indignados, ápice de 8 anos de lutas

O câncer do
ceticismo domina a ideologia atual e infecta igualmente o proletariado e suas
próprias minorias revolucionárias. Como já dissemos mais acima, o proletariado
faltou a todas as convocações que durante quase um século de decadência
capitalista a história lhe fez. Isto provoca em suas fileiras uma dúvida
angustiante sobre sua própria identidade e capacidades como classe a ponto de
em muitos ambientes combativos se chegar até a rejeitar o termo "classe
operária"! 

[12]


Mas este ceticismo é ainda mais forte porque é alimentado pela decomposição do
capitalismo 

[13]

:
a desesperança, a ausência de todo projeto concreto de futuro, favorecem a
incredulidade e a desconfiança em relação a toda perspectiva de ação coletiva.

Os movimentos
da Espanha, Israel e Grécia – com todas as debilidades que arrastam – começam a
ministrar um remédio eficaz contra o câncer do ceticismo. Não unicamente em si
mesmos, mas pelo que significam em uma continuidade de lutas e esforços de
consciência que vêm dando no proletariado mundial desde 2003! 

[14]


Não são uma tormenta que explode repentinamente num céu azul, mas a
demonstração de que as pequenas nuvens, chuvas finas, tímidos relâmpagos dos
últimos 8 anos se condensaram e alcançaram uma nova qualidade,.

Desde 2003, o
proletariado começa a se recuperar do longo retrocesso da combatividade e da
consciência induzidos pelos acontecimentos de 1989. Este processo de
recuperação segue num ritmo lento, contraditório e muito sinuoso. Manifesta-se
em:

  •   Uma
    sucessão de lutas fragmentadas em diferentes países, tanto do centro como da
    periferia, que manifestam características "carregadas de futuro": busca
    da solidariedade, tentativas de auto-organização, presença das novas gerações,
    reflexão e inquietude diante do futuro;
  • Um
    desenvolvimento de minorias internacionalistas que buscam uma coerência
    revolucionária, que se colocam perguntas e vão tomando contato entre si,
    debatem, abrem perspectivas...

Em 2006
surgem dois movimentos – na França a luta dos estudantes contra o Contrato de
Primeiro Emprego e na Espanha a greve massiva de Vigo 
[15]
que, apesar da distância, da diferença de condição ou idade, apresentam
características similares: Assembleias Gerais, extensão a outras camadas
operárias, massividade dos protestos... É como um primeiro abalo que, na
aparência, não tem continuidade. 
[16]

Um ano depois
estoura uma embrionária greve de massas no Egito, a partir de uma grande
fábrica têxtil.

[17]

No
começo de 2008 têm lugar lutas isoladas, mas coincidentes em um bom número de
países, tanto da periferia como do centro do capitalismo. Outro elemento
destacável é a proliferação de revoltas de fome em 33 países no primeiro
trimestre de 2008, que no caso do Egito são apoiadas e em parte dirigidas pelo
proletariado. No final de 2008, estoura a revolta da juventude proletária da
Grécia, apoiada por minorias de operários. Em 2009 vemos germes de atitudes
internacionalistas em Lindsay (Grã-Bretanha) e uma explosiva greve generalizada
no sul da China (junho de 2009).

Depois do
retrocesso inicial do proletariado pelo primeiro impacto da crise, como
assinalamos antes, ele começou a lutar de forma muito mais decidida: na França,
no outono de 2010, ocorrem protestos massivos contra a reforma das pensões com
o aparecimento de tentativas de Assembleias interprofissionais; a juventude
britânica se rebela em dezembro de 2010 contra o brutal aumento das taxas
escolares. 2011 mostra as grandes revoltas sociais no Egito e na Tunísia. Parecia
que o proletariado estava tomando impulso para uma nova explosão: o movimento
de indignados da Espanha e depois na Grécia e Israel.

Trata-se de
um movimento que pertence à classe operária?

Estes três
movimentos não podem ser compreendidos sem tudo o que acabamos de analisar. São
como um primeiro quebra-cabeças que une as pequenas peças adquiridas ao longo
de 8 anos. Mas a força do ceticismo é grande e muitos se perguntam: como
qualificá-los de movimentos de classe se não se apresentam como tais e não
partem, nem por regra geral suscitam greves ou assembleias nos centros de
trabalho?

Na Espanha,
na Grécia e em Israel o movimento chama a si mesmo de "indignados",
conceito válido para a classe operária 

[18]

,
mas que não revela imediatamente tudo aquilo que é portador. Sua aparência é a
de uma revolta social devida essencialmente a dois fatores:

A
perda da identidade como classe

O proletariado passou por um longo retrocesso que
lhe infligiu um dano significativo na sua confiança em si mesmo e na
consciência de sua própria identidade: "Após a queda do bloco do Leste
e dos supostos regimes "socialistas", as campanhas ensurdecedoras
sobre "o fim do comunismo", quando não "da luta de
classes", deram um golpe brutal na consciência e na combatividade da
classe trabalhadora. O proletariado sofreu então um profundo retrocesso em
ambos os planos, que se propagou por mais de dez anos.
(...) Por outro lado, a burguesia
conseguiu fazer nascer entre a classe operária um forte sentimento de
impotência devido à incapacidade dela desenvolver lutas massivas
"

[19]


Isso explica em parte porque a participação do proletariado como classe não foi
dominante no movimento de indignados, no entanto ele esteve presente através da
participação de indivíduos operários (assalariados, grevistas, aposentados,
estudantes...) que trataram de esclarecer, de se implicar de acordo com seus
instintos, mas que carecem da força, da coesão, da clarividência que
proporciona o assumir-se coletivamente como classe.

Essa perda de
identidade faz que o programa, a teoria, as tradições, os métodos do
proletariado, não sejam reconhecidos como próprios pela imensa maioria dos
operários. Por isso, a linguagem, as formas de ação, até os símbolos que
aparecem no movimento de indignados bebem de outras fontes. Isto significa um
lastro perigoso que deve ser combatido pacientemente para que se produza uma
reapropriação crítica de todo o acervo teórico, de experiência, das tradições,
que o movimento operário acumulou ao longo de dois séculos.

A
presença de camadas sociais não proletárias

Entre os indignados
há uma forte presença de camadas sociais não proletárias, em particular uma
classe média em claro processo de proletarização. Com relação a Israel, nosso
artigo sublinhava: "Outro elemento é o de etiquetá-los como movimento
de "classe média" para minimizar sua importância. É claro que, como
ocorreu em outros lugares, observa-se uma ampla revolta social que pode
expressar a insatisfação de diferentes camadas da sociedade, do pequeno
empresário ao operário, todos afetados pela crise mundial, a crescente
separação entre ricos e pobres, e, num país como Israel, a piora das condições
de vida pela demanda insaciável da economia de guerra. Mas "classe média"
converteu-se em um termo abstrato, que pode se referir a qualquer um com
estudos ou um emprego, e em Israel, no norte da África, Espanha ou Grécia,
crescentes setores de jovens que estudaram se veem empurrados para as fileiras
do proletariado, trabalhando em empregos precários, se é que encontram trabalho
onde qualquer um pode ser contratado
". 

[20]

Se o
movimento parece ser vago e indefinido, isso não nega seu caráter de classe,
sobretudo se vemos as coisas em sua dinâmica, na perspectiva de futuro, como
apreciam os companheiros do TPTG (Ta Paidia Tis Galarias)
a respeito do movimento na Grécia: "O que todo o espectro
político encontra de inquietante neste movimento assembleísta é que a ira e a
indignação do proletariado de base (e das camadas pequeno-burguesas) já não se
expressa através dos canais de mediação dos partidos políticos e dos
sindicatos. Portanto, não é tão controlável, e é potencialmente perigoso para o
sistema representativo político e sindical em geral

[21]

.

A presença do
proletariado não reside em que se constitua a força dirigente do movimento, ou
que a mobilização desde os centros de trabalho constitua seu eixo, mas em uma
dinâmica de busca, de clareza, de preparação do terreno social, de
reconhecimento do combate que se apresenta. Isto é o que marca sua
importância mesmo que se saiba que ainda é um pequeno passo, extremamente
frágil. Com relação à Grécia, os companheiros do TPTG falam que o movimento "(...)
constitui uma expressão da crise das relações de classe e da política em geral.
Nenhuma outra luta se expressou de uma maneira mais ambivalente e explosiva nas
últimas décadas

[22]

.
Com relação a Israel, um jornalista assinala – em sua linguagem – "não
foi a opressão o que manteve a ordem social em Israel, ao menos no que diz
respeito à comunidade judaica. Foi a doutrinação – a existência de uma
ideologia dominante, para usar um termo apreciado pelos teóricos críticos. E
foi esta ordem cultural que foi abalada nestes protestos. Pela primeira vez uma
parte importante da classe média judia – é muito cedo para avaliar seu tamanho
– reconheceu que seu problema não era em relação a outros israelitas, ou aos
árabes, ou a um político concreto, mas com toda a ordem social, com todo o
sistema. É neste sentido que se trata de um acontecimento único na história de
Israel

[23]

.

As
características das lutas futuras

Sob essa
ótica, podemos compreender os traços destas lutas que são característicos e que
futuras lutas poderão retomar com espírito crítico e desenvolver a um nível
muito mais claro:
 

  • A
    entrada em luta das novas gerações do proletariado,
    mas com uma diferença
    importante em relação aos movimentos de 1968: enquanto os jovens de então
    tinham que partir do zero, considerando a geração mais velha como "derrotados
    e aburguesados", hoje assistimos a um combate conjunto das diferentes
    gerações da classe operária.
  • A ação
    direta das massas:
    a luta ganhou as ruas, as praças foram ocupadas. Nelas
    os explorados se encontraram de forma direta, puderam conviver, discutir e
    atuar juntos.
  • O
    princípio da politização:
    muito além das falsas respostas que são dadas e
    que continuarão a ser dadas, o importante é que grandes massas começam a se envolver
    direta e ativamente nos grandes problemas da sociedade, é o princípio de sua
    politização como classe.
  • As
    Assembleias:
    condizem com a tradição proletária dos Conselhos Operários de
    1905 e 1917 que se estenderam para a Alemanha e outros países durante a onda
    revolucionária mundial de 1917-23. Posteriormente, reapareceram em 1956 na
    Hungria e em 1980 na Polônia. São o meio de união, de desenvolvimento da
    solidariedade, da capacidade de compreensão e de decisão das massas
    proletárias. O slogan "Todo poder às Assembleias" que ficou popular
    no movimento da Espanha expressa de maneira ainda incipiente a abordagem de
    questões chave como o Estado, o duplo poder, etc.
  • A
    cultura do debate:
    a clareza que inspira a determinação e o heroísmo das
    massas proletárias não se decreta nem resulta da doutrinação exercida por uma
    minoria possuidora da verdade, é o fruto combinado da experiência, do combate e
    especialmente do debate. A cultura do debate esteve muito presente nos três
    movimentos: tudo foi posto em discussão, nada do político, do social, do
    econômico, do humano em geral, escapou do olhar destas imensas ágoras
    improvisadas. Isto, como dissemos na introdução do artigo dos companheiros da
    Grécia, tem uma enorme importância: "
    (...) um esforço decidido para
    contribuir para o aparecimento do que os companheiros do TPTG chamam de uma ‘esfera
    pública proletária’ que tornará possível que um número crescente de nossos
    irmãos de classe não apenas encontrem a maneira de resistir aos ataques do capitalismo
    a nossas vidas, mas também que desenvolva as teorias e ações que nos conduzirão
    juntos a uma nova forma de vida social
    ". [24]
  • A forma
    de encarar a questão da violência:
    o proletariado "(....) foi
    confrontado desde o começo com a violência extrema da classe exploradora, a
    repressão quando tentava defender seus interesses, a guerra imperialista, mas
    também a violência quotidiana da exploração. Ao contrário das classes
    exploradoras, a classe portadora do comunismo não carrega com ela a violência,
    e mesmo se não pode se poupar de sua utilização, não está nunca identificando
    com ela. Em particular, a violência que deverá empregar o proletariado para
    derrubar o capitalismo, e que deverá utilizar com determinação, é
    necessariamente uma violência consciente e organizada que deve ser precedida
    por todo um processo de desenvolvimento de sua consciência e de sua
    organização, através de várias lutas contra a exploração
    [25].
    Como no movimento de estudantes de 2006, a burguesia tentou em numerosas ocasiões
    arrastar o movimento de indignados – especialmente na Espanha – à armadilha de
    enfrentamentos violentos com a polícia, em condições de dispersão e debilidade
    para, desta forma, poder desacreditar o movimento e facilitar seu isolamento. Estas
    armadilhas foram evitadas e uma reflexão ativa sobre a questão da violência
    começou a manifestar-se.
    [26] 

Debilidades
e confusões a combater

Não
pretendemos glorificar estes movimentos. Nada mais alheio ao método marxista
que fazer de uma determinada luta – por mais importante e rica em lições que
seja – um modelo definitivo, acabado e monolítico que simplesmente haveria que
seguir cegamente. Olhando lucidamente estes movimentos, compreendemos suas
debilidades e problemas.

A
presença de uma
"ala
democrática
"

Esta empurra
o movimento para a consecução de uma "verdadeira democracia". Esta
postura está representada por várias correntes políticas, algumas de direita,
como acontece na Grécia. Está claro que os meios de comunicação e os políticos
se apoiam nela para fazer com que todo o movimento se identifique com ela.

Nós,
revolucionários, temos que combater energicamente as mistificações, as falsas
medidas, os argumentos falaciosos, desta postura. No entanto, por que, apesar
de tantos anos de enganos, armadilhas e decepções com a democracia, existe
ainda uma forte propensão a deixar-se enganar pelos cantos da sereia? Podemos
apontar três causas:
 

  • 1ª) A
    participação de camadas sociais não proletárias muito receptivas às
    mistificações democráticas e ao interclassismo;
  • 2ª) O impacto
    de confusões e ilusões democráticas muito presentes nos próprios operários,
    especialmente nos jovens que não puderam desenvolver uma experiência política;
  • 3ª) O peso do
    que chamamos de decomposição social e ideológica do capitalismo, que favorece a
    tendência a agarrar-se a um ente "acima das classes e dos conflitos"
    – que supostamente seria o Estado – o qual poderia contribuir para certa ordem,
    justiça e mediação.

Mas haveria
uma causa mais profunda sobre a que é necessário chamar a atenção. Em
O 18
Brumário de Luis Bonaparte,
Marx constata que "as revoluções
proletárias
(...) recuam constantemente ante a magnitude infinita de
seus próprios objetivos
". [27]
Hoje, os acontecimentos estão pondo em evidência a quebra do capitalismo, a
necessidade de destruí-lo e construir uma nova sociedade. Isto, para um
proletariado que duvida de suas próprias capacidades, que não recobrou sua
identidade, leva-o – e o levará por todo um tempo – a agarrar-se a pregos
ardentes, a falsas medidas de "reforma" e "democratização",
ainda que duvidando delas. Tudo isso, indiscutivelmente, proporciona uma margem
de manobra para a burguesia, que lhe permite semear a divisão e a
desmoralização e, em consequência, dificulta precisamente a recuperação dessa
confiança e dessa identidade de classe.

O
veneno do apoliticismo

Trata-se de
uma velha debilidade do proletariado que se arrasta desde 1968 e que tem sua
raiz na enorme decepção e no profundo ceticismo que produziram a
contrarrevolução stalinista e social-democrata e que induz à tendência de crer
que toda opção política, incluída a que se reivindica do proletariado, é um vil
engano, conteria em seu núcleo o verme da traição e da opressão. Isto é
explorado pelas forças burguesas que atuam dentro do movimento para, ocultando
sua própria identidade e impondo a farsa de que "intervêm como cidadãos
livres", controlar as Assembleias e sabotá-las a partir de dentro. É o que
assinalam com clareza os companheiros de TPTG: "No começo havia um
espírito comunitário nas primeiras tentativas de auto-organizar a ocupação da
praça e, oficialmente, não se tolerava os partidos políticos. No entanto, os
esquerdistas e especialmente os da SYRIZA (Coalizão da Esquerda Radical) rapidamente
se envolveram na assembleia de Sintagma e tomaram importantes posições no grupo
que se formou para gerir a ocupação da praça. Mais concretamente, meteram-se no
grupo de ‘secretaria’ e no responsável pela ‘comunicação’. Estes dois grupos são
os mais importantes porque organizam a agenda das assembleias, assim como o
fluir da discussão. É preciso saber que esta gente não declara abertamente sua
filiação política e se apresentam como ‘indivíduos’
". 

[28]

O
perigo do nacionalismo

Este está
mais presente na Grécia e em Israel. Como denunciam os companheiros do TPTG: "O
nacionalismo (sobretudo em sua forma populista) é dominante e é favorecido
tanto pelos vários grupos de extrema direita, como pelos partidos de esquerda e
de esquerdistas. Inclusive para muitos proletários ou pequeno-burgueses
golpeados pela crise que não estão filiados a partidos políticos, a identidade
nacional se apresenta como o último refúgio imaginário quando tudo vem abaixo
rapidamente. Atrás dos lemas contra o ‘Governo vendido e estrangeiro’ ou pela
‘salvação do país’, pela ‘soberania nacional’ e por uma ‘nova constituição’
subjaz um profundo medo e alienação para a qual a ‘comunidade nacional’ se
apresenta como uma solução unificadora mágica
".

A reflexão
dos companheiros é tão certeira como profunda. A perda de identidade e a falta
de confiança do proletariado em suas próprias forças, o processo lento que
segue a luta no resto do mundo, favorece esse "agarrar-se à comunidade
nacional" como refúgio utópico diante de um mundo inóspito e cheio de
incertezas.

Assim, por
exemplo, as consequências dos cortes na saúde e educação, dado o problema real de
que tais serviços são cada vez piores, são utilizados para enquadrar as lutas
nos cárceres nacionalistas de reclamar uma "boa educação" porque isso
nos faria competitivos no mercado mundial e uma "saúde a serviço de todos
os cidadãos".

O medo
e a dificuldade para assumir a confrontação de classe

A ameaça
angustiante de desemprego, a precariedade massiva, a fragmentação crescente dos
empregados – divididos inclusive no próprio centro de trabalho em uma
inextrincável rede de subcontratação numa incrível variedade de modalidades de
emprego – exercem um poderoso efeito intimidatório e tornam muito difícil o
reagrupamento dos trabalhadores para a luta. Esta situação não pode ser
superada nem com chamamentos voluntaristas para a mobilização nem com
admoestações aos trabalhadores por sua suposta "comodidade" ou "covardia".

Isso faz que
a passagem a uma mobilização massiva de desempregados, precarizados, dos
centros de trabalho e estudo, resulte muito mais difícil do que pudesse parecer
à primeira vista, provocando uma vacilação, uma dúvida e um agarrar-se a "assembleias"
que cada vez são mais minoritárias e cuja "unidade" favorece às
forças burguesas que operam dentro delas. Isso dá uma margem de manobra à
burguesia para preparar seus golpes baixos contra as Assembleias Gerais. É o
que denunciam certeiramente os companheiros do TPTG: "A manipulação da
principal assembleia na Praça Sintagma (há outras quantas em vários bairros de
Atenas e cidades gregas), por membros não declarados de partidos e organizações
de esquerdas é evidente e é um obstáculo real a qualquer direção de classe do
movimento. No entanto, devido à profunda crise de legitimação do sistema
político de representação em geral, eles também têm que ocultar sua identidade
política e manter um equilíbrio entre um discurso geral e abstrato sobre a
"autodeterminação", a
"democracia direta", a "ação
coletiva
", o "antirracismo",
"a mudança social", etc. de um lado, e o nacionalismo
extremo e o comportamento de valentões de alguns indivíduos de extrema direita
que participam em grupos da praça
". 

[29]

Olhando
serenamente para o futuro

É evidente
que "para que a humanidade possa viver, o capitalismo deve morrer

[30]

,
mas o proletariado está ainda muito longe de alcançar a capacidade para
fazê-lo. O movimento de indignados põe uma primeira pedra.

Na série
mencionada no princípio, dizíamos: "(...)
uma das razões pelas quais não se realizaram as previsões dos
revolucionários sobre o advento da revolução foi que subestimaram a força da
classe dirigente, especialmente sua inteligência política

[31]

.
Esta capacidade da burguesia para empregar sua inteligência política contra as
lutas segue mais evidente que nunca! Assim, por exemplo, os movimentos de
indignados nos três países foram completamente silenciados nos demais ou foi
dada uma versão light sobre eles de "renovação democrática". Mas,
igualmente, a burguesia britânica foi capaz de aproveitar o descontentamento
para canalizá-lo em direção a uma revolta niilista que lhe serviu de álibi para
reforçar a repressão e intimidar qualquer resposta de classe. 

[32]

Os movimentos
de indignados puseram uma primeira pedra no sentido de que deram os primeiros
passos para que o proletariado recupere a confiança em si mesmo e sua própria
identidade como classe. Mas isto está ainda muito longe, pois se necessita para
isso do desenvolvimento de lutas massivas, desde um terreno diretamente
proletário, que coloquem em evidência que a classe operária é capaz de oferecer
uma alternativa revolucionária frente ao desastre do capitalismo e
especialmente frente às camadas sociais não exploradoras.

Não sabemos
como se chegará a essa perspectiva e devemos estar atentos às capacidades e
iniciativas das massas, como ocorreu no caso do movimento 15 M na Espanha. O
que sabemos é que para ir em direção a ela, um fator essencial será a extensão
internacional das lutas.

Os três
movimentos levantaram o germe de uma consciência internacionalista: no
movimento de indignados da Espanha falava-se com frequência que sua fonte de
inspiração era a Praça Tahrir no Egito 

[33]

,
ao mesmo tempo em que buscou uma extensão internacional de seu combate – além de
se fazer em meio a importantes confusões. Por sua parte, os movimentos de
Israel e Grécia declararam de forma explícita que seguiam o exemplo dos
indignados da Espanha. Em Israel, os manifestantes portavam cartazes que diziam
que "Netanyahu, Mubarak e El Assad são a mesma coisa", o que mostra
não somente um princípio de consciência de quem é o inimigo, mas também uma
compreensão ao menos inicial de que sua luta tem lugar junto com os explorados
desses países e não contra eles no marco da defesa nacional 

[34]

.
"Em Jaffa, dezenas de manifestantes árabes e judeus levaram cartazes em
hebreu e árabe que diziam ‘Árabes e judeus queremos casas a preços acessíveis’
e ‘Jaffa não é somente para os ricos’
(...) estiveram produzindo protestos de judeus e árabes contra os
despejos destes últimos do bairro Sheikh Jarrah. Em Tel Aviv, estabeleceram-se
contatos com residentes em campos de refugiados nos territórios ocupados, que
visitaram as tendas do movimento e debateram com os manifestantes

[35]

.
Os movimentos no Egito e na Tunísia em um campo, e de Israel no outro campo
imperialista, mudam os dados da situação em uma zona que é provavelmente o
principal centro de confrontação imperialista do mundo, como diz nosso artigo: "A
atual onda internacional de revoltas contra a austeridade capitalista abre as
portas a outra solução: a solidariedade de todos os explorados acima das
divisões nacionais ou religiosas; luta de classe em todos os países com o fim
último de uma revolução mundial que seja a negação de qualquer fronteira
nacional e do Estado. Faz um ou dois anos, este fim aparecia como algo utópico
no melhor dos casos. Hoje, cada vez mais gente vê uma revolução global como uma
alternativa realista a uma ordem capitalista que está desmoronando

[36]

.

Os três
movimentos contribuíram para a força de uma ala proletária: tanto na Grécia
como na Espanha, mas também em Israel 

[37]

,
"uma ala proletária" bastante ampla com relação ao passado vai
emergindo em busca da auto-organização, a luta intransigente a partir de
posições de classe e do combate pela destruição do capitalismo. Os problemas,
mas também as potencialidades e perspectivas desta ampla minoria, não podem ser
abordadas com consistência no marco deste artigo. O que é evidente é que se
constitui uma ferramenta vital que o proletariado produziu para a preparação
dos combates futuros.

C. Mir, 23-09-11


[1]

Ver As mobilizações dos indignados na Espanha e
suas repercussões no mundo: um movimento carregado de futuro
<http://pt.internationalism.org/ICConline/2011/mobilizacoes_dos_indignados_na_Espanha>.
Na medida em que no referido artigo analisávamos em detalhe esta experiência,
não repetiremos o que ali foi desenvolvido.

[3]

"Revolução
Comunista ou destruição da humanidade" Manifesto do IX Congresso da
CCI, 1991.

[4]

Revista
Internacional, números 103 e 104.
http://es.internationalism.org/Rint103/01.htm
y http://es.internationalism.org/Rint104-inicio
. Em breve publicaremos esses artigos.

[5]


Para debater este conceito crucial de decadência do
capitalismo, ver entre muitos outros: Decadencia
del capitalismo – Para los revolucionarios, la Gran Depresión confirma la
caducidad del capitalismo
<
http://es.internationalism.org/rint146-decadencia> .

[6]

Revista
Internacional, nº 103, op. cit.

[7]

Revista
Internacional, nº 104, op. cit.

[9]

Ver Resolução sobre a situação
internacional (XVIIIe congresso da CCI)
em <
http://pt.internationalism.org/ICConline/2009/Resolucao_sobre_a_situacao_internacional_XVIIIe_congresso_da_CCI>

[10]

"Privado de todo
ponto de apoio econômico no seio da sociedade capitalista, sua única e
verdadeira força, além de seu número e organização, é sua capacidade para tomar
consciência plena da natureza, dos objetivos e dos meios de seu combate." Revista
Internacional nº 103, op. cit.

[11]

"As
nacionalizações, assim como algumas medidas ‘sociais’ (como a maior carga do
Estado no sistema de saúde) eram medidas perfeitamente capitalistas (estas)
tinham o maior interesse em dispor de operários em boa saúde (...). Essas
medidas capitalistas serão apresentadas como vitórias operárias." Revista
Internacional nº 104, op. cit.

[12]

Aqui não podemos
desenvolver as razões pelas quais a classe operária é a classe revolucionária
da sociedade e por que seu combate representa o futuro para todas as demais
camadas sociais não exploradoras, uma questão muito candente, como logo
veremos, no movimento de indignados. Remetemos como material para o debate a
série de dois artigos da Revista Internacional nº 73 e 74 "Quem
poderá mudar o mundo?
"
http://es.internationalism.org/rint73proletariado

[13]

Ver Teses sobre a decomposição, Revista
Internacional
nº 62, http://es.internationalism.org/node/2123

[14]

Ver os diferentes
artigos de análise da luta de classe em nossa Revista Internacional.

[16]

A burguesia esconde
cuidadosamente estas experiências: as revoltas de rua niilistas de novembro de
2005 na França são muito mais conhecidas – inclusive nos ambientes politizados
– que o movimento consciente dos estudantes 5 meses depois.

[18]

A indignação se
distingue, por um lado, da resignação e, por outro lado, do ódio. Diante da
dinâmica insuportável do capitalismo, a resignação expressa um sentimento
passivo – tende-se a rechaçá-lo, mas ao mesmo tempo não se vê como enfrentá-lo.
Por sua vez, o ódio expressa um sentimento ativo – a rejeição se transforma em
combate – mas trata-se de um combate cego, sem perspectiva e sem uma reflexão
para elaborar um projeto alternativo, senão que é meramente destrutivo, abraça
uma soma de respostas individuais, mas não gera nada coletivo. A indignação
expressa a transformação ativa da rejeição acompanhada pela tentativa de lutar
de maneira consciente, buscando a elaboração concomitante de uma alternativa, é,
pois, coletiva e construtiva. "
A indignação leva à
necessidade de uma regeneração moral, de uma mudança cultural, as propostas que
se fazem –inclusive embora pareçam ingênuas ou peregrinas – manifestam uma
ânsia, ainda tímida e confusa, de "querer viver de outra maneira"
("Da
Praça Tahrir à Puerta del Sol em  <
 http://pt.internationalism.org/ICConline/2011/Da_Praca_Tahrir_a_Puerta_d... >)

[19]

 Ver Resolução sobre a situação internacional (XVIIIe congresso da CCI)
em  <
http://pt.internationalism.org/ICConline/2009/Resolucao_sobre_a_situacao_internacional_XVIIIe_congresso_da_CCI>

[20]

Protestas en
Israel: “¡Mubarak, Assad, Netanyahu son lo mismo!”
Ver: http://es.internationalism.org/node/3185

[21]


Notas preliminares para un análisis del “Movimiento de asambleas populares”
(TPTG, Grecia). Ver: http://es.internationalism.org/notaspreliminares-tptg

[22]

Ibid.

[23]

Protestas
en Israel: “¡Mubarak, Assad, Netanyahu son lo mismo!”
Ver: http://es.internationalism.org/node/3185

[24]

Notas
preliminares para un análisis del “Movimiento de asambleas populares” (TPTG,
Grecia). Ver: http://es.internationalism.org/notaspreliminares-tptg

[25]

Teses sobre o
movimento dos estudantes da primavera 2006 na França. <http://pt.internationalism.org/icconline/2006_estudiantes_franca>

[26]

Ver O
que há por trás da campanha contra os violentos pelos incidentes de Barcelona?
http://es.internationalism.org/node/3130

[28]

Notas preliminares
para un análisis del “Movimiento de asambleas populares” (TPTG, Grecia). Ver: http://es.internationalism.org/notaspreliminares-tptg

[29]

Ibid.

[30]

Slogan da Terceira
Internacional.

[31]

Revista
Internacional nº 104.

[32]

Os motins na Inglaterra e a perspectiva sem futuro do capitalismo. Ver: <http://pt.internationalism.org/ICConline/2011/Os_motins_na_Inglaterra_e_a_perspectiva_sem_futuro_do_capitalismo>

[33]

A Praça da Catalunha
em Barcelona foi rebatizada pela Assembleia de "Praça Tahrir", o que
além de mostrar uma vontade internacionalista, foi uma bofetada no nacionalismo
catalão, que considera esta Praça seu símbolo mais apreciado.

[34]

Citado por nosso
artigo sobre a luta em Israel: "Um deles ao ser perguntado se os
protestos estavam inspirados pelos acontecimentos nos países árabes, respondeu:
‘Há muita influência do que se passou na Praça Tahrir...Há muita com certeza. Quando
a gente compreende que tem o poder, que podemos nos organizar a nós mesmos, que
não necessitamos que o governo nos diga o que tem que ser feito, podemos
começar a dizer ao governo o que queremos.’
"

[35]

Ibid.

[36]

Ibid.

[37]

Neste movimento "Alguns
alertaram abertamente do perigo de que o governo possa provocar enfrentamentos
armados ou inclusive uma nova guerra para restaurar a ‘unidade nacional’ e
dividir o movimento
" (ibid.), o que revela – mesmo que seja de
forma ainda implícita – um distanciamento da política imperialista do Estado
israelita de "união nacional" a serviço da economia de guerra e da
guerra.