A classe operária sujeito da revolução

Versão para impressãoEnviar por emailO proletariado é a única classe revolucionária do nosso tempo. Só ele tomando o poder político em escala mundial e transformando radicalmente as condições e fins da produção, pode ser capaz de tirar a humanidade da barbárie em que está envolvida.

A idéia de que a classe operária é a classe do comunismo, de que o lugar que ocupa no capitalismo faz dela a única classe capaz de derruba-lo, é algo adquirido desde há mais de um século. Esta idéia aparece com força na primeira manifestação programática rigorosa do movimento oproletário: o Manifesto Comunista de 1848. Expressa-se  com letras luminosas na formulação da AIT, "a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores", que gerações de proletários continuam transmitindo como bandeiras dos seus combates sucessivos contra o Capital. Porém, o terrível silêncio ao qual a classe operária foi  submetida durante meio século tem dado lugar a que apareçam todo tipo de teorias sobre "a integração definitava da classe operária", sobre "o proletariado, classe para o capital", sobre a "classe universal" ou acerca das "camadas marginais como sujeitos da revolução"; significa dizer, a toda uma série de antiguidades disfarçadas em "novidade" que tem vindo unir-se às tempestades de mentiras que a burguesia utiliza sem descanso para perpetuar a desmoralização dos trabalhadores e sua submissão ideológica ao capital.

O que a Corrente Comunista Internacional volta a afirmar hoje, em primeiro lugar e com veemência é, pois, o caráter revolucionário da classe operária, de nenhuma outra classe social além dela, no período atual.

Porém o fato de que essa classe, contrariamente às classes revolucionárias do passado, não tenha na sociedade que está chamada a transformar nenhum poder econômico onde apoiar seu futuro poder político, lhe impõe a conquista desse último como condição primeira para essa transformação. Por isso, ao contrário das revoluções burguesas que avançam de êxito em êxito, a revolução proletária virá necessariamente coroar uma série de derrotas parciais, porém trágicas. E quanto mais decididos são os combates da classe, mais trágicas são as derrotas.

A grande onda revolucionária que pôs fim a Primeira guerra mundial e que continuou dutante mais de dez anos é uma clara confirmação de ambas as realidades: a classe operária é o único sujeito da revolução comunista e a derrota, a companheira da sua luta até a vitória definitiva. Esse imenso movimento revolucionário que pôs abaixo o Estado burguês na Rússia, que fez tremer os países da Europa e ressoa com eco ensurdecedor até a China, proclama que o proletariado se presta a dar o golpe de misericórdia a um sistema que havia entrado na sua fase de agonia e que o proletariado está disposto a executar a sentença ditada pela história contra o capitalismo. Porém, ao ser incapaz de elevar à escala mundial o primeiro êxito de 1917, a classe operária terminou vencida e dominada. É então quando, de maneira negativa, fica confirmada a natureza revolucionária, exclusiva da classe operária: O fracasso no intento revolucionário mundial e o fato de ser a classe operária a única classe capaz de levar à cabo a revolução, e nada mais que ela, é a causa de que a sociedade continue caminhando sem remédio em direção a uma barbárie crescente.