A contra-revolução

Versão para impressãoEnviar por emailEntretanto, o instrumento mais eficaz que foi desenvolvido o capitalismo na decadência para assegurar sua sobrevivência tem sido a apropriação sistemática de todas as formas de luta e organização que a classe operária havia herdado do passado e que a troca da perspectiva histórica tornou caducas. Todas as táticas sindicais, parlamentares, frentistas que havia possuído um sentido e uma utilidade para a classe operária no século XIX, se converteram em outros tantos meios para paralizar a sua luta, transformado-se em arma fundamental da contra-revolução. Depois, precisamente porque todas as suas derrotas  lhes foram apresentas como outras tantas "vitórias", a classe operária se envolveu na mais sinistra contra-revolução conhecida. Foi sem dúvida alguma o método fraudulento do "estado socialista", parido da contra-revolução na Rússia e apresentado como baluarte do proletariado quando já não era outra coisa que o defensor do capital nacional estatizado, o que constituiu em arma essencial para o enquadramento como para a desmoralização do proletariado. Os proletários do mundo inteiro, a quem a fogueira de 1917 fez nascer uma imensa esperança, se viram depois convidados a submeter incondicionalmente sua luta à defesa da "pátria socialista"; e os que dentre eles conseguiram dar conta do caráter anti-operário desta, a ideologia burguesa se encarregaria de infundi-los a idéia de que a revolução não poderia ter outro resultado que o havido na Rússia, quer dizer: O surgimento de uma nova sociedade de exploração e opressão.

Desmoralizada pelos fracassos dos anos vinte, porém, mais ainda pelas divisões entre, por um lado, aqueles que deslumbrados pelo outubro vermelho eram incapazes de perceber a degeneração e a traição dos partidos nascidos de então, e por outro lado aqueles que haviam perdido toda esperança na revolução, a classe operária não pôde aproveitar da crise geral do sistema nos anos trinta para voltar a ofensiva.

Ao contrário de "vitória" em "vitória"; de pés e mãos atados foi arrastada para a segunda guerra imperialista, a qual, contrariamente a primeira, não lhe ressurgir maneira revolucionária e em troca foi recrutada para as grandes "vitórias" da "resistência", o "anti-facismo"  ou ainda das "libertações" coloniais e nacionais.

As etapas principais do refluxo e da integração do proletariado na sociedade burguesa assim como dos partidos da III Internacional representam outras tantas punhaladas no movimento da classe:

1920-21: Luta da Internacional Comunista contra sua esquerda sobre as questões  parlamentar e sindical.

1922-23:  Adoção pela IC das táticas de "Frente Única" e "Governo Operário", o que leva a formação na  Saxônia  e (Turigia??) de governos de coalizão entre comunistas e social-democratas, verdugos estes do proletariado alemão, quando todavia este ocupava às ruas.

1924-26: Surgimento da teoria da "construção do socialismo em um só país"; o abandono do internacionalismo proletário é reflexo da morte da IC e da passagem dos seus partidos para o campo da burguesia ;

1927: Apoio político e militar da IC a Chiang Kaishek (Jiang Jieshi) que acaba com a matança pelas tropas deste do proletariado e os comunistas chineses.

1933: Triunfo de Hitler,

1934: Entrada da Rússia na Sociedade das Nações; quer dizer, reconhecimento por parte da corja de malandros ou malfeitores? que a essa agrupa os que já são como eles. Essa grande "vitória" é, de fato, outro símbolo da grande derrota proletária.

1936: Criação das "Frentes Populares" e política de "Defesa Nacional" a qual leva os partidos "comunistas", de acordo com Stálin, a votar os créditos militares

1936-39: Orgia antifascista na Espanha, matança de trabalhadores a serviço da democracia e da república.

1939-45: Segunda Guerra Mundial e enquadramento do proletariado nas distintas "resistências". Nessa guerra, a burguesia, com as experiências de antes, corta pela raiz, toda possível veleidade proletária, ocupando militarmente cada palmo de terra dos países vencidos. Ao ser incapaz de impor o fim da guerra com seu próprio movimento - tal como havia ocorrido em 1917-1918 - a classe operária sai da guerra ainda mais derrotada.

1945-65: Reconstrução e "libertação nacional": o proletariado convidado a levantar o mundo das suas ruínas em troca de algumas migalhas que o desenvolvimento da produção permite a burguesia distribuir. E nos países atrasados, a burguesia nacional recruta o proletariado em nome da independência contra o imperialismo.