O desenvolvimento da luta e da consciência proletária

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Porém, se bem que a classe capitalista afia metodicamente suas armas, o proletariado por sua vez não é a vítima submissa que aquela deseja ter pela frente.

Embora apresentem aspectos desfavoráveis, as condições em que o proletariado tem renovado nas lutas, estas estão fundamentalmente a seu favor. Em efeito, pela primeira vez na história, um movimento revolucionário da classe não se desenvolve depois de uma guerra e sim acompanha uma crise econômica do sistema. É verdade que a guerra havia contribuído para que o proletariado compreendesse rapidamente a necessidade de lutar no terreno político, arrastando em sua direção classes não proletárias distintas da burguesia; porém sótinha constituído um fator poderoso de tomada de consciência para os proletários dos países do campo de batalha e em especial para os dos países vencidos.

A crise que hoje se desenvolve não deixa a salvo nenhum país do mundo, e quanto mais tenta a a burguesia frear o curso, mais se estendem os  efeitos. Por isso, nunca um levantamento da classe havia sido de tal amplitude como o de hoje. Certo que o rítimo é lento e irregular, porém sua extensão vem confundir os profetas da derrota que não param de dissertar (pode ser dissertar longamente?)(pérorer) sobre o caráter "utópico" de um movimento revolucionário do proletariado em escala mundial. Por outra parte, ao encarar hoje as tarefas imensas que lhe incubem e ao haver perdido o essencial das suas tradições de classe, o proletariado terá que aproveitar o desenvolvimento lento da crise que o golpeia e dá um ritimo na sua resposta de classe, para aperfeiçoar sistematicamente suas experiências e sua organização. Será através de lutas econômicas sucessivas que tomará consciência do caráter político do seu combate. Multiplicando e ampliando suas lutas parciais forjará os instrumentos do enfrentamento generalizado. Frente às lutas, o capital começará a lamentar e utilizará o fato real de que não pode ceder nada, para pedir "moderação" e "sacrifícios" aos operários. Porém estes compreenderão que se bem as lutas são infrutíferas e por tanto perdidas de antemão no plano estritamente econômico, são em troca, a condição mesma da vitória decisiva, porque são um passo a mais na compreensão da quebra total do sistema e da necessidade de destruí-lo.

Contra todos os predicadores da "prudência" e o "realismo", os trabalhadores aprenderão que o verdadeiro êxito de uma luta não é o resultado imediato, que ainda que positivo estará sistematicamente ameaçado pelo aprofundamento da crise, e sim que a verdadeira vitória é a luta mesma, são a organização, a solidariedade e a consciência que a luta desenvolve.

Assim sendo, contrariamente as lutas que se desenvolveram na grande crise do entre guerras e cuja inevitável derrota não produziu senão uma maior desmoralização e prostração, as lutas atuais são outras tantas etapas até a vitória final, e o desânimo momentâneo por derrotas parciais se transformará em sobressalto de cólera de determinação e de consciência, que fecundará as lutas futuras.

Ao agravar-se, a crise acaba por liquidar as poucas e irrisórias vantagens que a reconstrução permitiu repartir aos trabalhadores em troca de uma exploração cada dia mais sistemática e científica. À medida que vai se desenvolvendo, com o desemprego e o rebaixamento massivo dos salários reais, a crise empurra em uma miséria crescente um número cada vez maior de operários. Pelos sofrimentos que provoca, fica desnudado o caráter selvagem das relações de produção que aprisionam a sociedade. Porém, ao contrário das classes burguesas, pequeno burguesas e seus porta vozes que só vêem na crise uma calamidade e que a suportam com lamentos desesperados, os proletários devem saudá-la e reconhecer nesta, com entusiasmo, o ímpeto regenerador que varrerá os laços que os une ao velho mundo e que prepara as condições da sua emancipação.