As greves que estão acontecendo no momento ocorrem por dentro da orientação dos sindicatos e partidos de esquerda

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É certo que do ponto de vista quantitativo os movimentos grevistas superam os de anos anteriores, com destaque para os dos diversos serviços públicos que no último final de semana contava com 100 mil trabalhadores em greve especialmente no serviço público. Entretanto a sua dinâmica continua inalterada do ponto de vista político: as greves que estão acontecendo no momento ocorrem quase na sua totalidade por dentro da orientação dos sindicatos e partidos de esquerda, ou por estes apropriadas ainda na sua fase inicial. Estes utilizam uma linguagem pseudo-radical no sentido de assumirem a frente e a dominação do movimento para dar uma demonstração de força cujo objetivo é adquirir credenciais para participarem das mesas de negociações. Em nada seu alvo é a extensão do movimento, pois correriam o perigo de perderem o controle diante de uma possível radicalização e a incorporação de um contingente de maior expressão.

No momento os exemplos são bastante numerosos e para citar alguns exemplos:

Petroleiros - uma das categorias mais numerosas do país está em campanha salarial, entretanto a Federação Única dos Petroleiros (FUP) está mantendo toda negociação diretamente com a estatal Petrobrás e tenta evitar mobilizações para a realização de assembléias embora haja bastante disposição dos petroleiros para encampar um movimento de grande envergadura o que naturalmente aterroriza os dirigentes sindicais, partidos, e organizações de todas as colorações.

LG - diante do anuncio de fechamento de 4 unidades industriais (São José dos Campos, Suzano, Recife e Capava) além da ameaça do fechamento do complexo do Amazonas na Zona Franca de Manaus, os operários da unidade de São José dos Campos - SP se mobilizaram espontaneamente sem a presença do sindicato e iniciaram a paralisação. Embora tivessem sido escandalosamente traídos em abril pelo sindicato que negociou o aumento da jornada de trabalho e a implantação de um programa de demissões, permitiram que o sindicato após iniciada a paralisação assumisse a direção do movimento. Deixaram-se levar em passeata para as imediações da prefeitura da cidade com objetivo de eleger o prefeito como interlocutor sob o argumento que o poder municipal havia concedido benefícios e renuncias fiscais para a instalação da unidade industrial na cidade. Qualquer semelhança entre os acontecimentos da Wolksvagem não é mera coincidência, apenas a ilustração de como a ação da burguesia através dos seus representantes sindicais, diante da crise do capital agem no sentido de que o seu estado tente evitar a quebra definitiva do mesmo.

Há de se ressaltar que trata-se de um sindicato filiado a Conlutas e que a sua ação em nada diferencia das ações da CUT ou Força Sindical.

CSN - Os metalúrgicos da CSN que reapareceram no cenário da mídia nos últimos dias lembrando a todos os episódios do massacre de 1988, retomaram o trabalho no final de semana após um início de greve convocado pelo sindicato e esteve marcada pelo baixo nível de adesão dos operários.

É certo que as atitudes aparentemente radicais dos sindicatos e todas as centrais - dentre as quais a de realização da greve geral em 23/05 e "protestos" e marcha à Brasília, "contra" as iniciativas do governo no sentido de promover reformas trabalhistas previdenciárias e sindicais - nada mais são do que a busca de credibilidade junto a classe visando a participação das negociações perante o parlamento no seio do estado burgês.

As perspectivas numa conjuntura de curto prazo para o proletariado no Brasil apontam para uma série de lutas e ainda derrotas que certamente trarão um maior amadurecimento à classe para os seus futuros embates. Dentre eles uma maior clareza da compreensão do papel de sabotagem desempenhado pelos sindicatos, partidos e agrupamentos da esquerda. Também, e muito importante será desilusão do propalado bom desempenho da economia que a burguesia tenta fazer acreditar que existe no presente e em perspectivas futuras.

No mês de setembro próximo categorias importantes estarão discutindo salários dentre elas os metalúrgicos de muitos estados importantes inclusive de São Paulo e nacionalmente os bancários. São categorias que demonstram um maior grau de mobilização, e a cada ano os sindicatos são confrontados por parcelas significativas desse segmento do proletariado com uma forte tendência em rejeitar as manobras dos mesmos inclusive com possibilidades de iniciativas de maior alcance que as até agora experimentadas.

Considerando que as lutas que se desenvolvem no momento atual estão evidenciando debilidades, especialmente pelo fato de que embora haja um forte descontentamento, muita combatividade, estas não apresentam a força necessária para impedir as ações de sabotagens empreendidas pelos sindicatos e partidos de esquerda e da extrema esquerda do capital. O que não significa que a possibilidade colocada para os futuros momentos tenha passado despercebida pelo proletariado e transformado em ensinamentos para os embates que se avizinham.

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