França: Solidariedade de todos os trabalhadores com os estudantes em luta contra o CPE!

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Operários, trabalhadores assalariados!


As novas gerações, universitários e estudantes de institutos, estão sendo atacadas em massa pelo Governo Chirac/Villepin/Sarkozy que quer impor pela força e com violência o Contrato Primeiro Emprego (CPE) para generalizar de forma brutal a eventualidade no trabalho. Os estudantes que protestaram sem violência nas manifestações de 7 e 14 de Março não estão lutando só por eles mesmos. Estão se manifestando em massa para lutar pelo futuro de TODA a sociedade, de todas as gerações, dos operários desempregados e dos operários com empregos precários, tentando dar uma perspectiva de luta aos jovens dos bairros mais pobres numa tentativa de ajudar-lhes a superar o desespero que lhes empurrou, em Novembro passado, a desenvolver uma violência cega e sem perspectiva. Lutam contra a decomposição do tecido social, contra a concorrência de todos contra todos, contra a criminosa idéia de "cada um que ganhe sua vida"!.

A única resposta que receberam foi a repressão do Estado policial do Ministro do Interior Sr.Sarkozy!. A "ordem republicana" que o Estado preserva é na realidade a "desordem" de uma sociedade que condena ao desemprego, à precariedade e ao desespero a um número cada vez maior de jovens que vêem cada vez mais impossível poder ter uma vida em condições. É, igualmente, a "ordem" da intimidação e do cassetete! Com a ajuda inestimável da provocação dos bandos de extrema direita e da ingenuidade de alguns pequenos grupos de inconscientes pretendem fazer-nos crer que se pode debilitar ao Estado "bombardeando" aos Corpos Especiais de Segurança Republicanos (CRS) com latas vazias ou cercas metálicas para assim, justificar o incremento da repressão sobre os estudantes em luta. Uma "ordem" que encontra um aliado, fiel e potente, na manipulação, no silêncio ou na falsificação organizada pelos meios de "comunicação", em especial a televisão. Uma "ordem" que apóia os sindicatos que não aceitam denunciar as mentiras e a manipulação dos telejornais, apesar de suas declarações oficiais de  "solidariedade" com os jovens e que, se negam a convocar assembléias gerais em massa nos centros de trabalho para dizer a verdade do que está ocorrendo aos trabalhadores. Bloqueando e falsificando a informação, os sindicatos impedem que os trabalhadores possam contribuir imediatamente com sua solidariedade ativa e de luta contra os ataques, impedem que os operários possam expressar sua solidariedade ativa contra a repressão dos filhos da classe operária!.

Contra as armadilhas e a sabotagem da extensão da solidariedade a todos os setores da classe operária, nós, trabalhadores e militantes da classe operária internacional, chamamos a todos os trabalhadores a mobilizar-se imediatamente para defender o futuro de nossos filhos ameaçados pela miséria e, a lutar contra a barbárie e as mentiras do Governo e de todos os seus cúmplices!

A solidariedade e a coragem que estão mostrando os estudantes em luta são exemplares. A liberdade de expressão e a cultura de debate que se viram nas assembléias gerais de estudantes, as decisões e moções adotadas à mão erguida depois de intensos debates com o objetivo de aprofundar e organizar o movimento, junto com a eleição de delegados responsáveis ante as assembléias, foram uma demonstração do que é a verdadeira "democracia", isto é, tomar a cargo de forma direta e responsável o desenvolvimento da luta ! Isto nada tem que ver com o que nos oferece a classe dominante: ficarmos isolados em nosso rincão para votar com intervalos regulares numa dissimulação que nos "permita" eleger a seus "especialistas", os políticos, para que defendam no Parlamento ou outras instituições seus privilégios contra os interesses de todos os explorados. A mobilização e as assembléias dos estudantes nos mostram o caminho da luta! Se nós trabalhadores ficamos passivos, deixamo-nos intimidar, paralisar ou intoxicar pelos meios de "comunicação" às ordens do Governo e todos seus cúmplices, estaremos deixando as mãos livres à classe dirigente para golpear ainda bem mais forte aos filhos da classe operária!.

A "ordem democrática" imposta por uma minoria que dirige a sociedade, a classe burguesa, é na realidade a desordem social e o desencadeante do caos num país situado no coração da Europa "civilizada". É a ameaça do afundamento da moral e da civilização humana que a classe dirigente, e totalmente irresponsável, está ocupada em sacrificar no altar de seus miseráveis privilégios nos quais a única "lógica" que impera é a do lucro capitalista.

Os estudantes mais conscientes e decididos não ocuparam as faculdades ou institutos para dedicar-se a "enfrentar a polícia" ou aos "fascistas"! O senhor Robien (diretor da Sorbonne) mente! Não foram os estudantes os que destruíram seus utensílios de trabalho (os livros), nem também saquearam o "monumento histórico" da Sorbonne já que sabem melhor do que ninguém que pertence ao patrimônio cultural da humanidade.

Os estudantes não são nem vândalos, nem terroristas! A televisão e todos os meios de comunicação mentem!

Denunciamos a duplicidade e a falsidade de todos esses profissionais do engano e da mentira, dos cúmplices do Governo Chirac/Villepin/Sarkozy! São todos eles os que tomaram como refém com suas mentiras a palavra dos estudantes!

Denunciamos a hipocrisia de todos aqueles que nos apresentam o CPE como uma "medida social" para os jovens e, em particular, para os dos bairros mais pobres. Depois da repressão e do cassetete, agora tentam utilizar a cenoura para tentar opor aos jovens mais desfavorecidos  os universitários e estudantes de institutos em luta!

Denunciamos os apelos para ir "à caça dos estudantes" lançados por políticos e meios de "comunicação" argumentando falazmente que estamos ante uma luta de vândalos "excitados", ou de irresponsáveis "manipulados por perigosos extremistas".

Chamamos a todos os trabalhadores, operários, precarizados, desempregados, aposentados a se somar imediatamente ao movimento de protesto geral contra esta "ordem" que nos explora, lança-nos ao desemprego e à miséria crescentes e, reprime cada vez mais aos trabalhadores, especialmente aos mais jovens, mas também a seus maiores.

Chamamos a levantar a voz, a participar em massa e em calma na manifestação do Sábado, 18 de Março contra o trabalho precário e o desemprego, contra a repressão, contra as limitações ao direito de greve. O direito de greve e a liberdade de expressão são aquisições da luta da classe operária desde o século 19 que devemos defender.

Nós, trabalhadores e militantes da corrente da Esquerda Comunista ( que lutou contra os matadouros das duas Guerras Mundiais), chamamos os trabalhadores de todos os países a expressar sua solidariedade com os filhos da classe explorada vítimas da brutalidade do Governo francês e de todos seus cúmplices!  

Não à falsificação da verdade!,Não à liquidação das aquisições das lutas da classe operária!, Não à repressão contra os estudantes e os filhos dos trabalhadores!.

Solidariedade e unidade de todos os assalariados com os universitários, estudantes de institutos, desempregados e trabalhadores precários selvagemente atacados pelo Governo de Villepin, Chirac e Sarkozy!.

Os trabalhadores militantes ou simpatizantes das seções da Corrente Comunista Internacional (Alemanha, Bélgica, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Itália, Holanda, México, Suécia, Suíça, Venezuela) chamam a todos os operários e assalariados da república "francesa" a manifestar-se unidos, sem violência mas com determinação, no sábado 18 de Março, por detrás de uma única palavra de ordem:  retirada do CPE, contra a precariedade e as demissões, contra a escalada da violência cega e a repressão provocada por Sarkozy e seus amigos!

Igualmente chamamos aos jovens dos bairros mais pobres a confiar em seus camaradas de luta, universitários e estudantes. Os estudantes mais conscientes sabem do que a "raiva" cega não leva a nenhuma parte. Os estudantes não lutam para "vingar" as revoltas nos bairros, lutam para oferecer e conseguir uma perspectiva de futuro, contra a exclusão do sistema escolar e do mundo do trabalho.

Corrente Comunista Internacional ( 16 Março 2006 )