Uma participação e um dinamismo prometedores

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Ocorre às vezes que os próprios revolucionários fiquem surpresos com o grande interesse que suas posições despertam em um dado momento,
embora constituam a parte do proletariado
em que existe a maior confiança nas capacidades revolucionárias de sua classe, inclusive quando esta não está envolvida de maneira imediata em preocupações revolucionárias explícitas. Temos que reconhecer que ficamos agradavelmente surpresos com a ampla participação nestas reuniões, ao haver-se superado em algumas delas a presença que estamos acostumados a assistir em reuniões públicas nas cidades onde a CCI intervém regularmente. Cerca de cem pessoas participaram ao total das três reuniões públicas. E à exposição sobre a Esquerda comunista em um teatro da Universidade
compareceram 260
pessoas, durante toda a primeira parte do debate.
A
reunião se prolongou durante duas horas além do previsto, chegando ao final com 80 pessoas presentes, e sem que todas as perguntas pudessem ser respondidas.

Há uma série de circunstâncias
favoráveis que explicam essa presença. A primeira aparição pública de uma organização revolucionária internacional desconhecida no Brasil é algo que evidentemente pode explicar o interesse despertado localmente por ela. Além disso, as reuniões públicas se beneficiaram de uma propaganda eficaz da que se
encarregou
Oposição Operária, ou com nossos simpatizantes. Embora também possa mencionar o interesse acadêmico e não político que tenha animado alguns estudantes e professores a participar do debate sobre a história da Esquerda Comunista, terá que tomar em consideração que o que se anunciou no início, por causa
do
regulamento interno da Universidade,
como a exposição de um
historiador

[1]

,
acabou tendo a forma de um comício político coordenado por um organizador da jornada, pela Oposição Operária e a CCI; além disso havia uma mesa com publicações da CCI na entrada do teatro.

Na realidade, o êxito de
nossas
reuniões resulta em grande parte de que no
Brasil existe uma
atenção apurada para
uma
crítica radical da sociedade e das instituições democráticas, pois
à
cabeça dessas instituições está o governo de Lula, o grande "líder operário" de esquerda cujo nome está indissoluvelmente vinculados aos do PT (Partido dos Trabalhadores, surgido em 1980) e da CUT (Central Única dos Trabalhadores, 1a. Central Sindical "independente" criada no final da ditadura, em 1983). Hoje a aliança Governo, Lula, PT e CUT deve assumir
abertamente o papel
de
ponta de lança dos ataques contra a classe
operária que exige a defesa do capital nacional brasileiro no campo internacional, como o fariam quaisquer governo e partidos de direita, o que permite que apareça às claras sua verdadeira natureza de inimigos da classe operária que sempre foram. No Brasil, como nos outros países, a resposta da classe operária está muito longe de corresponder a amplitude dos ataques capitalistas que sofre constantemente. Existe também no Brasil, entretanto, e isso é precisamente o que basicamente explica o indubitável interesse por essas reuniões públicas, uma preocupação crescente pelo futuro diante da quebra cada dia mais evidente do capitalismo,
o
qual se plasma em um incremento do interesse pela perspectiva de uma alternativa à sociedade atual.

 

As análises da história de nossa classe e as perspectivas de luta política para uma futura sociedade comunista, que nossas exposições e intervenções continham, não foram absolutamente recebidas como dogmas, mas sim suscitaram toda uma série de questionamentos e um entusiasmo, às vezes também ceticismo, e marcas de simpatia que alguns quiseram nos demonstrar no final das reuniões, além de inúmeras questões que não tinham podido colocar
por falta de tempo durante a discussão.

A importante
participação nessas
reuniões pôde
nos ter surpreendido um pouco, mas sobre tudo
confirmou a
tendência cada vez mais forte da
juventude em se
colocar na primeira fila
dos questionamentos
políticos diante do
futuro. Tanto é,
que em
uma das
reuniões
públicas, na
cidade de
Vitória da Conquista, mais da
metade da assistência eram
jovens quando não, muito jovens.



[1]

O objetivo militante estava entretanto claramente presente desde o início no segundo título de nossa apresentação "o futuro pertence à luta de classe".