A revolução comunista é a única esperança para a humanidade

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Proletários! Nunca a previsão dos revolucionários do último século foi tão atual. "Socialismo ou barbárie" disseram eles. Na ausência da revolução mundial do proletariado, a barbárie está agora generalizada e ela ameaça mesmo a sobrevivência da humanidade. Mais que nunca, a única esperança, o único futuro possível consiste na derrubada do sistema capitalista, na instauração de novas relações sociais libertas das contradições que sufocam a sociedade.

Se o capitalismo se afunda numa crise econômica irremediável que constitui a extrema causa das convulsões atuais, se ele mergulha massas crescentes de seres humanos na miséria e na fome, enquanto ele não tem saída para a sua produção, enquanto ele fecha as usinas, esteriliza os campos e licencia os operários, é que não produz para satisfazer as necessidades mas para vender no mercado a fim de realizar um lucro. Esse mercado hoje está saturado, não que as necessidades da sociedade estejam todas satisfeitas, mas porque ela não dispõe dos meios para comprar as mercadorias produzidas e o capitalismo é incapaz, ao menos de negar a ele mesmo, de fornecer tais meios: um capitalismo que daria a seus compradores o dinheiro para adquirir sua produção, não seria mais capitalismo. E o crédito de que se abusa desde anos não pode nada: provocando um endividamento geral, ele não faz nada além do que perpetuar todas as contradições tornando as ainda mais explosivas. As campanhas ideológicas burguesas elogiam as leis do mercado que "deveriam" segundo elas resolver todos os problemas que encontra a economia mundial! É uma sinistra fraude! É mesmo porque o capitalismo é baseado sobre a produção de mercadorias, de valores de câmbio e não de valores de "uso", que sua economia mergulha no abismo de maneira irreversível. Se as economias stalinistas sofreram tal revés, não é por haver abolido o capitalismo e o mercado, é por ter tentado trapacear em grande escala com suas leis enquanto nunca tinham saído destas. A única saída para a sociedade de superar a crise do capitalismo não é de "fazer mais ou menos capitalismo" ou de reformar esse sistema. É de colocar abaixo as leis que o governam, é de abolir o capitalismo ele mesmo.

Só o proletariado pode acabar com o capitalismo

E tal transformação, só a classe operária está em condições de realizar. Só ela na sociedade está realmente interessada em atacar radicalmente os fundamentos do capitalismo e em primeiro lugar a produção de mercadorias que fica no meio da crise desse sistema. Porque é justamente o mercado, a dominação da mercadoria na produção capitalista, que é a base de sua exploração. O natural da classe operária, contrariamente a outras categorias de produtores como os proprietários agrícolas ou os artesãos, é ser obrigada, para viver, de vender sua força de trabalho aos detentores desses meios de produção: os capitalistas privados ou também o Estado. É porque, no sistema capitalista, a força de trabalho, ela mesma se transformou numa mercadoria, e mesmo a principal de todas as mercadorias, que os proletários são explorados. É por isso que a luta do proletariado contra a exploração capitalista traz com ela a abolição do salário e pois a abolição de toda forma de mercadoria. Além disso, esta classe cria desde agora, o essencial das riquezas da sociedade. Ela o faz num quadro coletivo graças ao trabalho associado desenvolvido pelo próprio capitalismo. Mas, esse sistema não pôde perseguir até o fim a socialização da produção que tinha começado em detrimento da pequena produção individual.

Isso é mesmo uma das contradições essenciais do capitalismo: sob seu reinado a produção adquiriu um caráter mundial, mas os meios de produção ficaram dispersados entre as mãos de múltiplos proprietários, patrões privados ou Estados nacionais que vendem e compram "entre si" as mercadorias produzidas. A abolição da lei do mercado passa pela expropriação de todos os capitalistas, pela tomada coletiva pela sociedade do conjunto dos meios de produção. E esta tarefa, somente a classe que não possui nenhum meio de produção, enquanto é ela que usa deles de maneira coletiva, pode realizá-la.

Essa idéia não é nova: depois de um século e meio, ela constituiu a bandeira dos combates operários contra a exploração. "A emancipação dos trabalhadores será obra dos trabalhadores por si mesmos". Esta era a palavra de ordem central do programa da Associação Internacional dos Trabalhadores, a primeira Internacional fundada em 1864. Depois, ela foi retomada com a mesma força pelas outras internacionais: A Internacional Socialista fundada em 1889, a Internacional Comunista nascida em 1919 no meio da onda revolucionária e morta em 1928 pelo stalinismo. Atualmente, as campanhas burguesas tentam fazer crer que era uma simples utopia, uma utopia perigosa pois dela resultaria, como dizem elas, o horror do stalinismo. Mas da burguesia e de sua mídia nada podemos esperar além de mentiras. Na realidade, o que foi afirmado pelo movimento operário depois de suas origens está ficando inteiramente válido. Transformando-se, o capitalismo não fez desaparecer a classe operária como pretendem certos sociólogos às suas ordens. Esse sistema continua a viver da exploração do trabalho assalariado, é sua essência mesmo. E a classe dos produtores salariais, que trabalham nas usinas, ou nos escritórios, nas escolas, ou nos hospitais, continua a ser o único portador do futuro da humanidade.

E a prova mesma que a revolução comunista do proletariado conserve toda sua atualidade, é a amplitude das campanhas desencadeadas pela burguesia sobre o tema do "fim do comunismo" e da "morte do marxismo", isto é, a teoria revolucionária do proletariado. Se a classe burguesa não tivesse mais nenhum temor à atenção de seus explorados, se ela pensasse realmente que a classe operária não poderia jamais ter um papel no cenário da história, ela não se daria tanto trabalho para convencer os proletários que eles não têm nada a esperar da revolução, ela não tentaria por todos os meios, incutir-lhes um sentimento de impotência.

As dificuldades de hoje não têm abatido o proletariado. Ele conserva todas as suas forças para derrubar o capitalismo

É verdade que a gigantesca campanha orquestrada em torno dos acontecimentos desses dois últimos anos, a explosão do ex-bloco "socialista", o desmoronamento do regime stalinista na URSS, o estouro deste país que havia visto a revolução do proletariado há três quartos de século, tudo isso enfraqueceu a classe operária. O stalinismo havia sido a lança de ferro da contra-revolução burguesa; com sua morte ele rende um último serviço à classe burguesa fazendo a classe operária respirar o fedor de seu cadáver, enquanto ela era de antemão confrontada com todas as dificuldades que a decomposição geral do capitalismo provoca no seu seio. Hoje, um grande número de operários são vítimas das campanhas burguesas e estão abandonando toda esperança de um dia poder transformar o mundo e abolir a exploração capitalista. Nos países do ex-bloco do Leste, esses onde os proletários têm sofrido as formas mais extremas da contra-revolução, eles não têm a força de opor-se ao desencadeamento das ilusões burguesas, mesmo as mais arcaicas: por tomar a contra base do "Internacionalismo do proletariado" cujo stalinismo havia recoberto sua política imperialista, eles estão submergidos pela histeria nacionalista; em reação contra o ateísmo pregado pelos stalinistas, eles são jogados nos braços da Igreja. Mas esses não são os setores mais decisivos do proletariado mundial. E nos países capitalistas mais avançados do ocidente que se encontram esses setores. É nessa parte do mundo e particularmente na Europa Ocidental, que vivem, trabalham e lutam os batalhões mais concentrados, mas também experientes do proletariado mundial.. E esta parte do proletariado não está derrotada. Se ela está desorientada pelas mentiras atuais, ela não está embriagada atrás das bandeiras burguesas, nacionalistas ou democráticas. Em particular, nessa época da Guerra do Golfo, a burguesia dos países desenvolvidos utilizou unicamente profissionais: Era a prova que ela está consciente que os soldados do contingente (onde ele existe), isto é, os operários uniformizados, não estão prontos a morrer pela "defesa do direito ou da democracia". E esta guerra se encarregou de revelar mais claramente aos olhos da classe operária isso que significa a democracia e suas mentiras sobre a "nova ordem mundial".

Atualmente, as celebrações das grandes missas democráticas que são as eleições, são cada vez mais abandonadas pelos proletários. É do mesmo modo com os sindicatos, esses órgãos do Estado burguês encarregados de cercar os explorados para sabotar a luta deles. Além disso, o agravamento inexorável da crise econômica se encarregará cada vez mais de dissipar as ilusões sobre a "superioridade" da economia capitalista ao mesmo tempo em que ele obrigará a classe operária a retomar o caminho dos combates cada vez mais vastos e unidos. Um caminho no qual ela não havia parado de progredir depois do fim dos anos 1960 e particularmente ao meio dos anos 1980, mas que os acontecimentos desses dois últimos anos a fizeram abandonar momentaneamente. O marxismo, que a burguesia se apressou em enterrar com suspiros de alívio, prova desde já que não é com falência, bem ao contrário: o agravamento atual da crise que ele só pôde prever e explicar, mostra até que ponto essa teoria é bem viva. E sua vitalidade poderá só se fortificar com o reaparecimento das lutas operárias.

Nesse esforço da classe operária para desenvolver suas lutas e sua consciência, a função de seus elementos os mais avançados, os verdadeiros comunistas, será de toda importância e decisiva. Hoje como ontem "nas diferentes fases da luta entre o proletariado e a burguesia" os comunistas estão encarregados de "colocar a frente e de fazer valer os interesses comuns do proletariado inteiro, sem consideração de nacionalidade", de representar "sempre o interesse do movimento no seu conjunto" (Manifesto Comunista).

É porque, face aos riscos e a gravidade da situação histórica presente, face ao desencadeamento das mentiras burguesas e a fim de contribuir realmente para o amadurecimento da consciência do proletariado e para o desenvolvimento de suas lutas, é o dever das fracas forças revolucionárias existentes atualmente, de superar suas velhas divisões e todo sectarismo, de haver entre elas um debate fraterno permitindo-lhes clarificar as suas análises e de participar de maneira cada vez mais unida na defesa das posições comunistas no seio do proletariado.

Se o proletariado necessita de unidade para levar sua luta, é esse mesmo espírito de unidade, que só pode se realizar na claridade, que deve animar suas forças de vanguarda, os comunistas.

Proletários,

Nunca na história os riscos foram tão dramáticos e decisivos como hoje. Nunca uma classe social se defrontou com uma responsabilidade comparável a esta que pesa sobre o proletariado.

Se este não está em condições de assumir essa responsabilidade, será o fim da civilização e mesmo da humanidade. Milênios de progresso, de trabalho e de pensamento serão aniquilados para sempre. Dois séculos de lutas do proletariado, milhões de mártires operários não terão servido para nada. Para repelir todas as manobras criminosas da burguesia, para desmanchar suas mentiras odiosas e desenvolver a luta a fim da revolução comunista mundial, para abolir o reinado da necessidade e aceder finalmente ao da liberdade,

Proletários de todos os países, Uni-vos!

 

Julho-Setembro 1991

A redação deste Manifesto foi acabada em 1991. Seus princípios e seu conteúdo foram adotados pelo IXº Congresso da Corrente Comunista Internacional em julho de 1991 (Revista internacional n° 67, outubro/dezembro 1991).