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ConteúdoSubmetido por CCI em Sex, 16/09/2005 - 00:22
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Diante da comprovação do papel abertamente antioperário dos sindicatos, as greves selvagens e anti-sindicais multiplicaram-se em todos os países. Elas exprimem na prática o antagonismo proletariado x sindicatos e traduzem uma consciência cada vez mais clara da natureza capitalista dessas organizações. Qual é o conteúdo dessas lutas? O fato de que o capitalismo não possa mais conceder reformas na escravidão salarial, reduziu as lutas proletárias a um combate de resistência contra o ataque permanente do capital nas condições de existência dos trabalhadores. Demonstramos, relatando os eventos de 1936 e 1968 na França, como o capital foi forçado a tomar de volta as concessões que as lutas generalizadas lhe arrancaram. Em 1936 e em 1968, vimos os aumentos de salários serem anulados pela inflação. Esta situação é excepcional. A situação normal, que caracteriza o capitalismo atual, não é a que os preços correm atrás do salário, mas o inverso. Não é o capital que tenta recuperar permanentemente o que os trabalhadores lhe extraíram, mas os trabalhadores que, lutando, tentam resistir à intensificação de sua exploração.
O conteúdo das lutas operárias no capitalismo decadente se caracteriza por não serem lutas de resistência em si (como todas as lutas, desde que os operários enfrentam seus exploradores), mas:
Já não há conciliação possível entre proletariado e capital. O antagonismo de classes é, na decadência capitalista, levado aos últimos limites. Toda luta operária verdadeira se coloca inevitável e imediatamente como luta política e revolucionária. O conteúdo revolucionário se manifesta com maior ou menor amplitude, quando:
Nos países em que esses amortecedores não existem ou são demasiado rígidos para funcionar, as lutas operárias assumem ainda mais rapidamente uma forma política. Foi assim que, na Espanha franquista e no leste europeu, as greves assumiram tão freqüentemente a forma de lutas insurrecionais abrasando cidades inteiras e transformando-se em confrontos generalizados com as forças do Estado (Vigo, Pamplona, Vitória - na Espanha, Gdansk, Szczecin - na Polônia em 1970, estão entre os exemplos mais conhecidos). Mas, sejam quais forem as circunstâncias e a intensidade dos combates, a resistência operária na nossa época não pode mais se afirmar sem expressar sua essência revolucionária. Esta característica da luta operária é a mesma que levou os revolucionários, desde a primeira Guerra Mundial, a proclamar a inutilidade da distinção social-democrata entre "programa mínimo" (conjunto de reformas a serem obtidas no interior do capitalismo) e o "programa máximo" (a revolução comunista). Doravante só o "programa máximo" podia exprimir os interesses da classe operária. A possibilidade de obter reformas sob o capitalismo é mera utopia. Só o que é revolucionário é proletário. Só o que conduz à revolução pode ser autenticamente proletário. Então, a classe operária deve abandonar as lutas econômicas como sugerem, desde Proudhon, todos os que consideram, supostamente em nome da "Revolução total", as lutas econômicas como ações mesquinhas integradas à vida e à defesa do capital? Tal afirmação é absurda, do ponto de vista da classe revolucionária. O proletariado é uma classe, isto é um conjunto de homens definido segundo critérios econômicos (posição que ocupam no processo de produção). Assim sendo, preconizar que ele abandone suas lutas econômicas é, concretamente, pedir-lhe: ou abandonar todo combate e permanecer passivo frente à exploração, ou mergulhar em lutas aclassistas (cooperativas, feminismo, ecologia, regionalismo, anti-racismo etc.), dissolvendo-se na massa heteróclita e invertebrada dos "homens de boa vontade" e outros ávidos de "justiça humanista". Nos dois casos, torna-se a seguir o conselho da burguesia aos proletários: "Abandonem a luta de classe!". Só quem nunca entendeu porque e como o proletariado é a força revolucionária de nossa época pode chegar a tal conclusão. A classe operária é a única que pode conceber e realizar o projeto da sociedade comunista, não por ser dotada de um gosto pronunciado por idéias e empreitadas "generosas". Assim como as outras classes revolucionárias da história, o proletariado só luta pela destruição do capitalismo porque a defesa de seus interesses imediatos o obriga a isso. E esses interesses têm fundamentos econômicos. A destruição do sistema capitalista é o único meio de impedir a permanente degradação das suas condições de existência. A classe operária, ao lutar pela melhoria de sua situação econômica, combate pela destruição do capitalismo. Sendo revolucionária, a luta do proletariado não nega o seu caráter econômico, mas o concretiza, numa compreensão dialética do combate. Consciente do caráter político de sua luta diária e conduzindo-a até a destruição do Estado capitalista e a instauração da sociedade comunista, o proletariado não abandona a defesa de seus interesses econômicos: assume sua realidade com todas as conseqüências. Enquanto o proletariado existir - isto é, enquanto existirem classes, inclusive após a tomada do poder revolucionário -, o combate operário terá um fundamento econômico. Os fundamentos econômicos da ação histórica só desaparecerão com o desenvolvimento da sociedade comunista, isto é, com a supressão das classes e, em conseqüência, do proletariado. Antes, porém, é através de sua resistência imediata à exploração que a classe operária forja as armas do combate revolucionário. Este combate que a obriga a se unir como classe e no qual se desenvolve sua consciência da necessidade e da possibilidade da revolução comunista. O que o proletariado tem que abandonar não são as reivindicações econômicas (o que, aliás, é impossível, enquanto lutar como classe), mas as ilusões sobre a possibilidade de defender seus interesses, mesmo os mais imediatos, sem ultrapassar o quadro econômico e assumir conscientemente o caráter político, global e revolucionário de sua luta. Diante da inevitável derrota das lutas reivindicativas no capitalismo decadente, o que a classe operária deve concluir não é que essas lutas sejam inúteis, mas que o único meio de torná-las úteis é transformá-las em momentos de aprendizagem e preparação para os combates generalizados, mais organizados e conscientes da inevitabilidade do confronto final com o capital. No capitalismo em declínio e com a revolução comunista na ordem do dia, a eficácia das lutas imediatas da classe operária não pode mais ser medida em termos imediatos. Tem de ser considerada em função da perspectiva histórica mundial da revolução comunista. |
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