A responsabilidade histórica da classe operária pelo futuro da humanidade

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Em meados dos anos 80, o pior da crise econômica ainda virá. A máquina capitalista não está programada para satisfazer prioritariamente as necessidades humanas, mas para extrair lucro e acumular capital. Quando não pode mais fazê-lo - como é cada vez mais o caso - ela não sabe e não pode fazer outra coisa senão destruir: capital, riquezas, seres humanos. No capitalismo decadente, a guerra mundial, sua preparação e a reconstrução que se segue, tem até agora ritmado a vida da sociedade. No extremo da crise econômica atual, o capital não terá outra "saída" a oferecer que uma terceira guerra mundial, pondo em risco, desta vez, a própria sobrevivência da humanidade.

Mas o modo de produção capitalista não é uma realidade eterna da natureza, como não o foram o escravismo antigo e o feudalismo. Como todos os sistemas de exploração, o capitalismo é uma criação humana, um conjunto de relações sociais impostas pelo desenvolvimento das forças produtivas e pela dominação (econômica e política) de uma classe sobre as outras. A sobrevivência da humanidade depende diretamente do resultado dessa luta entre as principais classes da sociedade.

Ora, o desenvolvimento da luta do proletariado conduz ao questionamento das próprias leis capitalistas. Ao longo de quase dois séculos, a classe operária mundial mostrou que seus combates não eram simples escaramuças defensivas, dispersas e descontínuas. A luta operária atual continua a dos "Canuts de Lyon" em 1834, dos operários da Comuna de Paris em 1871, da Revolução Russa em 1905 e 1917, a dos operários alemães durante em 1919 etc. Esta luta, que tem continuidade histórica e uma lógica própria, só poderá desembocar numa revolução social total, trazendo uma nova sociedade na qual, enfim, a humanidade se (re)apropriará de suas forças produtivas e de sua evolução histórica: o comunismo.

"Atrás de cada greve, esconde-se a hidra da revolução", dizia Lênin. Para quem sabe, segundo Marx, "ver na miséria não apenas a miséria", o atual desenvolvimento das lutas operárias no mundo e, em particular, na Europa ocidental, anuncia a reconstituição e a reunificação conscientes desta força mundial revolucionária que é o proletariado.

Apesar da sabotagem sindical, das gigantescas campanhas de intoxicação ideológica, da repressão policial, da ameaça do desemprego que pesa sobre cada operário de modo permanente, da cooperação de toda a burguesia internacional frente ao "perigo" proletário, as lutas mais marcantes dos últimos anos traduzem uma combatividade intacta.

A luta dos operários poloneses, em 1980, foi a mais importante manifestação proletária, desde a onda revolucionária internacional que obrigou a burguesia a parar a primeira guerra mundial. As greves do funcionalismo público em 1983 na Bélgica e na Holanda foram as mais importantes deste setor nestes países, em toda a sua história; o ataque da sede do Partido Socialista em Longwy, em 1984, pelos trabalhadores siderúrgicos franceses é um fato sem precedentes naquele país; a ocupação dos estaleiros pelos operários alemães, em 1984, foi a primeira desde os anos 20, e a mobilização pelas 35 horas semanais, a mais importante desde a mesma época; a greve dos mineiros britânicos, em 1984-85, é a maior desde a greve geral de 1926.

Mas o mais importante desta terceira onda, começada em 1983, é a simultaneidade das lutas ao nível internacional.

A luta proletária só poderá verdadeiramente passar à ofensiva assumindo seu conteúdo internacional, unificando-se através das fronteiras das nações burguesas. A consciência de classe necessária a esta unificação está justamente se forjando na efervescência social internacional que se desenvolve hoje. A simultaneidade atual das lutas operárias no plano internacional constitui a base objetiva sobre a qual deve se desenvolver o movimento, em direção à unificação do proletariado mundial.

É no desenvolvimento conseqüente das lutas atuais que se encontra a única força capaz de liquidar o capitalismo decadente e de oferecer um futuro à humanidade.

É através dos combates de resistência que o proletariado mundial se prepara para assumir suas responsabilidades históricas. Mas o proletariado não pode se emancipar, nem mesmo defender seus interesses mais imediatos sem uma unidade extrema e sem a mais rigorosa e implacável lucidez. Os sindicatos e o sindicalismo, na nossa época, desarmam a classe operária dividindo-a e cegando-a. A classe operária não pode desenvolver sua força e sua consciência sem lutar, fora dos sindicatos e contra eles. Esta é a idéia de base deste livreto, e está mais do que nunca na ordem do dia.