Decadência do capitalismo

Decadência do capitalismo

Que método científico deve usar-se para compreender a ordem social existente, as condições e meios de sua superação? (I)

Na primeira parte desta série (A Revolução tem sido necessária e possível há um século), consideramos a sucessão de acontecimentos: guerras mundiais, revoluções e crise econômicas globais, que marcaram a entrada do capitalismo em sua época de declínio no inicio do século XX, e que expuseram ao gênero humano a alternativa: ou a implantação de um modo de produção superior, ou a barbárie. Só uma teoria que abrange o conjunto do movimento da história pode servir para compreender as origens e as causas da crise que confronta a civilização humana.

Herança da Esquerda comunista: 

As tomadas de posição da Internacional comunista

No primeiro artigo dessa série publicado no nº 118 desta Revista, colocamos em evidência como a teoria da decadência, em Marx e Engels, está na medula do materialismo histórico na análise da evolução dos modos de produção. De igual maneira, a encontraremos no centro dos textos programáticos das organizações da classe operária.

Herança da Esquerda comunista: 

De Marx à Internacional comunista

O movimento operário nos tempos de Marx

Marx e Engels sempre expressaram claramente que a perspectiva da revolução comunista dependia da evolução material, histórica e global do capitalismo. Ou seja a concepção segundo a qual um modo de produção não pode expirar antes que as relações de produção sobre as quais se apóia não tenham se convertido em travas ao desenvolvimento das forças produtivas, foi a base de toda a atividade política de Marx e Engels e a da elaboração do qualquer programa político proletário.

Herança da Esquerda comunista: 

A Primeira Guerra mundial e a onda revolucionária mundial de 1917-23 abrem a época das guerras e das revoluções - (CCI)

(Resposta
da CCI a alguns argumentos dos comentários sobre
O materialismo histórico
de Franz Mehring)
Concordamos com a exposição detalhada dos princípios
do materialismo histórico, feita pelos "comentários". Estimamos
varias insistências e nuances no seu desenvolvimento que demonstram um conhecimento
profundo dos conceitos marxistas. Nosso propósito, nesta contribuição, não é de
fazer novos comentários
, mas de exprimir discordâncias
considerando a aplicação – feita através dos comentários - do conceito de
decadência, no caso do capitalismo.

Herança da Esquerda comunista: 

Comentários sobre - O materialismo histórico de Franz Mehring (companheiro da OPOP)

1

Pp. 11-13. Mehring cita o famoso Prefácio à Crítica da
Economia Política de Marx: “A conclusão a que cheguei e que, uma vez atingida,
se tornou o princípio diretor dos meus estudos, pode ser resumida como se
segue. Na produção social da sua existência, os homens entram inevitavelmente
em relações definidas, que são independentes da sua vontade, a saber, as
relações de produção que se adequam a um dado estágio do desenvolvimento das
forças materiais de produção. A totalidade destas relações de produção
constitui a estrutura econômica da sociedade, os verdadeiros alicerces sobre
que se ergue a superestrutura legal e política e a que correspondem formas
definidas de consciência social. O modo de produção das condições da vida
material condiciona o processo geral da vida social, política e intelectual.
Não é a consciência dos homens que determina a sua existência, é a existência
social que determina a consciência. Em determinado estádio do seu desenvolvimento,
as forças produtivas materiais da sociedade entram em conflito com as relações
de produção existentes ou—o que apenas exprime a mesma coisa em termos
legais—com as relações de propriedade em cujo quadro até ao operaram. De formas
de desenvolvimento das forças produtivas tais relações transformam-se em seus
freios. Inicia-se então uma era de revolução social. As transformações de base
econômica levam mais tarde ou mais cedo à transformação de toda a imensa
superestrutura. Sempre que se estudam tais transformações há que estabelecer a
distinção entre a transformação das condições econômicas da produção, que
podemos determinar com a precisão da ciência natural e das formas legais,
jurídicas, religiosas, artísticas ou filosóficas—em resumo, ideológicas—pelas
quais os homens ganham consciência desse conflito e o vencem. Tal como não
julgamos um indivíduo pelo que ele pensa de si próprio, também não podemos
julgar um tal período de transformação pela sua própria consciência; pelo
contrário, essa consciência é que tem de ser explicada pelas contradições da
vida material, a partir do conflito existente entre as forças sociais de
produção e as relações de produção. Nenhuma ordem social é destruída antes que
todas as forças produtivas que pode conter em si se tenham desenvolvido, e
nunca novas e superiores relações de produção substituem outras mais antigas
antes que as condições materiais da sua existência tenham amadurecido no quadro
da velha sociedade. Assim, a humanidade só se coloca missões que é capaz de
levar a cabo; com efeito, uma análise mais aprofundada mostra sempre que o
próprio problema só se levanta quando as condições materiais da sua solução já
existem, ou pelo menos se estão a formar. Em traços gerais, podem apontar-se os
modos de produção Asiático, antigo, feudal e burguês moderno como épocas que
marcaram o progresso do desenvolvimento econômico da sociedade. O modo burguês
de produção é a última forma antagônica do processo social de
produção—antagônico não no sentido do antagonismo individual, mas de um
antagonismo que emana das condições sociais de existência dos indivíduos—mas as
forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam também
as condições materiais para a resolução desse antagonismo. Assim, a
pré-história da sociedade é encerrada por esta formação social.”

Herança da Esquerda comunista: 

Materialismo Histórico, sucessão dos modos de produção e decadência do capitalismo (CCI)

A história das sociedades humanas, desde o
comunismo primitivo até o capitalismo, constitui certamente um assunto dos mais
apaixonantes na medida em que a sociedade futura se vier a existir, será um
produto e também a ultrapassagem de todas as fases históricas anteriores e
herdeira de toda a sua evolução, desde os primórdios, sobre todos os planos da
vida social.

Ao contrário da idéia partilhada e propagada
por todos os defensores do capitalismo, este sistema não é eterno, não
constitui a forma inultrapassável da organização econômica da sociedade. Tal
como os modos de produção que o precederam, o capitalismo é somente uma etapa
transitória dentro da sucessão dos modos de produção da história humana e, como
seus predecessores, depois de uma fase de progresso, ele é condenado a
confrontar-se com contradições insuperáveis, tornando necessária sua
ultrapassagem.

Herança da Esquerda comunista: 

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