Luta estudantil autônoma: um novo momento na UESB

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No dia 28 de março de 2011, alguns estudantes organizados da UESB tomaram a iniciativa de convocar uma Assembléia no campus de Vitória da Conquista para analisarem um decreto estadual que feriu quase que de morte as universidades estaduais baianas, a educação pública e os serviços básicos. Deliberou-se, então, que os estudantes parariam o campus para forçar uma discussão na universidade tanto do decreto quanto da questão mais geral do sucateamento da educação e dos serviços públicos imposta pela crise mundial do capitalismo e seguida fielmente por seus variados defensores, sobretudo na Bahia.

Após nove dias de intensa mobilização, incluindo aí as paralisações, os estudantes resolveram entrar em greve, após terem pressionado os professores a iniciarem a sua no dia anterior. A capacidade de auto-organização do movimento estudantil fora das burocratizadas instituições "representativas" mostra que este tipo de organização é muito mais avançado que as caducas atividades sindicais e mesas setoriais que negociam com o Estado burguês. O movimento estudantil está, assim, de parabéns, à medida que esteve para além dos seus "mestres" na condução deste processo.

O objetivo geral do movimento grevista é a imediata revogação do decreto estadual nº 12583/11, que acelera ainda mais o processo de sucateamento das universidades baianas e dos serviços públicos em geral. No entanto, precisamos compreender as origens deste processo.

A partir do final da década de 1960, o capitalismo entrou em um período de crise que se aprofunda a cada dia. Sua expressão mais recente foi a crise iniciada em finais de 2007, que atingiu em cheio todos os países do mundo. O corte orçamentário recente feito pelo governo federal mostra claramente a farsa por trás do discurso de Lula ao anunciar que a crise chegaria ao Brasil como uma "marolinha". Tal medida, que joga o peso da crise nas costas dos trabalhadores e dos explorados, não é exclusividade do Estado brasileiro. Esta tem sido a única saída encontrada por todos os governos do mundo. Exemplos não faltam... Na França, com a reforma previdenciária que aumenta o tempo de contribuição dos trabalhadores; Na Inglaterra, com o aumento de 300% no valor das matrículas das universidades; e Na Espanha, com o corte de 5% no salário de todos os servidores públicos; etc., etc., etc.

Neste sentido, a luta dos estudantes (a maioria como futuros trabalhadores assalariados) se insere diretamente na luta da classe trabalhadora contra o capital. Os estudantes da UESB devem pensar para além do imediato, pois o decreto estadual faz parte de um problema estrutural do capitalismo que envolve toda a sociedade. A greve e a revogação do decreto não podem ter um fim em si, devem ser encaradas como um marco para o início de um processo de mobilização mais amplo.

A solidariedade dos estudantes com a luta geral dos trabalhadores gera a solidariedade dos trabalhadores com a luta estudantil. Alguns passos já foram dados nesta direção: como a panfletagem fora dos muros da universidade, nas escolas do ensino médio e em praça pública. Mas é preciso compreender que a verdadeira solidariedade é a extensão da luta. Este é o único meio de fazer retroceder a burguesia e ameaçar sua estabilidade política e econômica. Apenas a extensão da luta pode impedir a burguesia de utilizar a repressão contra o movimento. A luta setorial, isolada, é típica das burocráticas instituições "representativas" e seus cães de guarda, que tentam a todo custo despolitizar, enfraquecer e sufocar os movimentos mais combativos. Uma greve isolada, ainda que prolongada, não demonstra a vitalidade do movimento.

A greve estudantil só terá futuro na medida em que se unifique de forma solidária com a luta da classe trabalhadora. Este é um momento importante do desenvolvimento da consciência de classe rumo à revolução internacional dos trabalhadores, a única saída para as mazelas do capitalismo.

ABAIXO A PRECARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO!

VIVA A AUTONOMIA DA LUTA ESTUDANTIL!

VIVA A LUTA INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES!

 

11/04/2011

Corrente Comunista Internacional-CCI - Labuta - Oposição Operária-OPOP