Revolução Mundial ou destruição da humanidade

Versão para impressãoEnviar por email

Manifesto do IXº Congresso da C.C.I. (1991)

 

Nunca na história, os riscos foram tão dramáticos e decisivos como hoje. Nunca uma classe social se defrontou com  uma responsabilidade comparável a esta que pesa sobre o proletariado.

"O Comunismo está morto!", "Operários, é inútil esperar o suposto fim do capitalismo, este sistema eliminou definitivamente seu inimigo mortal". Eis o que a burguesia tem repetido continuamente com o desmoronar-se do bloco de leste. Assim, a maior mentira da história, a identificação do comunismo com o stalinismo (uma das formas mais bárbaras da exploração capitalista) nos é servida no momento quando este mesmo stalinismo se desloca entre a lama e o caos. As classes dominantes de todos os países precisam convencer seus explorados que não adianta lutar a fim de transformar o mundo. "Temos que nos contentar com o que temos, porque já não há nada porque lutar. E cuidado, se o capitalismo for derrubado, a sociedade que o sucederá será muito pior". A capitulação sem glória do stalinismo a partir de 1989 e o desmoronamento infame do bloco que ele dominava, nos foram apresentados como "uma grande vitória da Democracia e da Paz". Eles deviam anunciar "uma nova ordem mundial", pacífica e próspera, onde os "direitos dos homens" seriam enfim respeitados.

Pouco tempo depois de ter falado essas palavras, os grandes países que se diziam "civilizados" desencadearam em 1991 uma bárbara guerra sem nome no oriente médio, fulminando com suas bombas centenas de milhares de seres humanos, transformando o Iraque em um campo de ruínas e de cadáveres, submetendo de maneira monstruosa a população desse país à "punição" que eles supostamente pretendiam infligir aos dirigentes que exploram e oprimem esta mesma população.

"Mas agora terminou" nos assegura a hipocrisia da burguesia. "Esta guerra era necessária", nos dizem eles "a fim que não haverá jamais outra"; fazendo respeitar o "Direito Internacional", ela abriu a porta de um mundo finalmente solidário, onde os conflitos poderão ser solucionados de um jeito pacífico sob a autoridade da "Comunidade Internacional" e outras "Nações Unidas".

Face a essas desordens, face a essa onda de barbaridades e de mentiras, o proletariado mundial manteve-se inerte. A classe dominante teria ganhado a partida de maneira decisiva? Teria ela de uma vez por todas superado as contradições que atacam seu sistema desde o seu início e particularmente nestas ultimas décadas? Teria ela exorcizado a imagem da revolução comunista que obceca suas noites há mais de um século? Na realidade é precisamente o que ela quer fazer crer aos explorados. Mas não devemos nos deixar enganar. O mundo que ela nos propõe e que nos apela a preservar, não será melhor mas bem pior ainda que nos dias de hoje. Por sua parte a classe operária não disse a última palavra. Mesmo se ela está momentaneamente calada, ela continua portadora da força para pôr fim ao capitalismo e à barbárie que ele causa. Mais que nunca seu combate constitui a única esperança para a humanidade, para que ela se liberte das suas cadeias, da miséria, das guerras e de todas as calamidades que até hoje a oprimiram.

Eis o que os revolucionários devem dizer a sua classe. Eis o que vai afirmar o presente manifesto.