Os sindicatos contra a classe operária

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 Prefácio à edição de 2008

Através das campanhas ideológicas sobre a suposta "falência do comunismo" que se seguiram ao colapso do bloco do Leste europeu, em 1989, a classe dominante conseguiu infligir um profundo revés na consciência do proletariado. Um revés que permitiu aos sindicatos  recuperarem certa credibilidade aos olhos da classe operária, credibilidade que tinham perdido em grande parte, ao longo dos anos 70/80 por conta das sabotagens das lutas. É por isso que a partir de 1989 até o início de 2000, as lutas operárias foram enfraquecidas e mostraram uma perda de confiança do proletariado, em suas próprias forças. Ao longo de mais de dez anos, os sindicatos oficiais têm ocupado toda a frente do cenário e conseguiram impedir a combatividade dos trabalhadores se expressar massivamente, ou mobilizar um grande número de trabalhadores em becos sem saída como foi notadamente o caso na França no outono de 1995.

Mas desde 2003, em qualquer parte do mundo, a intensificação da crise econômica e dos ataques (as demissões, supressões de postos de trabalho, os ataques contra as aposentadorias, etc.) veio para varrer todos os discursos enganosos sobre a vitória da "democracia" e sobre a época de prosperidade anunciada com a queda do regime estalinista. Mais uma vez, a classe trabalhadora retomou o caminho da luta. Por todo o lado, na maioria dos países na Europa e em outros continentes, os proletários manifestaram sua determinação na defesa das suas condições de vida. Desde o início da presente década, as lutas operárias que já explodiram na França, Alemanha, Espanha,  Estados Unidos, Egito e em muitos outros países têm sido caracterizadas por uma busca de solidariedade entre setores e entre gerações, obrigando os sindicatos a radicalizar sob pena de serem atropelados. A abertura de uma nova dinâmica dos confrontos de classe cada vez mais massivos, como a busca da solidariedade ativa no seio da classe operária, só pode empurrar a burguesia para adaptar o seu aparato de enquadramento para a nova situação. Confrontados com a tendência de crescente descrédito dos sindicatos oficiais (como aconteceu, por exemplo, nas greves no outono de 2007 na França), a classe dominante irá enfatizar cada vez mais a sua perniciosa arma de sindicalismo "de base" ou "de combate", como fez em meados e final dos anos 1980. Para além dos sindicatos oficiais, são novos sindicatos, mais "radicais", que irão aparecer ou crescer, assim como novos organismos para-sindicais "alternativos" como a "coordenação" que vieram a florescer na Europa, na segunda metade da década de 1980[1]. A Estratégia que estas novas formas de sindicalismo adotarão para colocar em prática será a de tomar a iniciativa, de tirar dos proletários qualquer iniciativa particular recuperando, para melhor desviar e  falsear, todas as tentativas de difundir as lutas, todas as manifestações de solidariedade operária.

Esta brochura, publicada pela primeira vez em 1974, mostra como os sindicatos tornaram-se desde o início do século 20 em instrumentos do Estado burguês contra o desenvolvimento das lutas operárias. Ela insiste na necessidade do proletariado para tomar suas lutas nas próprias mãos com a finalidade de livrar-se do peso do corporativismo e de todas as divisões mantidas pela ideologia do sindicalismo em todas as suas formas.

Julho 2008


[1] Ler nosso artigo da Revista internacional n° 56, 1º trimestre 1989, "França: As "coordenações" na vanguarda da sabotagem das lutas".