Duas novas reuniões públicas conjuntas no Brasil (OPOP-CCI)

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A CCI – Corrente Comunista Internacional e a  OPOP – Oposição Operária em conjunto realizaram duas reuniões públicas no fim de maio de 2006, uma no dia 27 em Salvador e a outra no dia 31 em Vitória da Conquista. Nesta oportunidade o tema tratado nas reuniões foi: “O Movimento dos Estudantes Contra a Precariedade”, onde os companheiros da OPOP (só em Salvador) apresentaram as mobilizações de 2003 lideradas pelos estudantes de Salvador contra o aumento da passagem (a chamada “Revolta do Buzu”, em alusão no nome que os habitantes de Salvador dão aos ônibus de transporte coletivo); a CCI apresentou o movimento dos estudantes na França na primavera européia de 2006 contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE).

Estas reuniões públicas, como as  realizadas em novembro de 2005 (ver em nosso site o artigo “Quatro Intervenções Públicas da CCI no Brasil”) foram organizadas de maneira conjunta entre o OPOP e a CCI. Entretanto, nesta oportunidade as apresentações de ambas as organizações foram decididas em comum e cada uma esteve de acordo com seu conteúdo e orientações. Embora na organização destas reuniões tenham participado alguns contatos da CCI no Brasil, é indubitável que sem o importante trabalho dos companheiros da OPOP, as mesmas não seriam possíveis, já que os companheiros: colocaram cartazes em diversos locais tanto de Salvador  como em Vitória da Conquista, distribuíram convocatórias convidando às reuniões, além de fazer convites verbalmente. É uma mostra inegável de como, duas organizações do campo proletário podem unir suas forças para realizar intervenções em comum, apesar de algumas diferenças políticas que temos sobre algumas questões. O aspecto central que nos une é o internacionalismo proletário, que nos leva a desenvolver intervenções em comum como as aqui resenhadas, que se orientam na direção de fortalecer o debate no seio da classe operária e o desenvolvimento de sua consciência.

Apesar da intensa chuva em Salvador, que prejudicou em grande medida a participação de muitos convidados, ainda assim considerando o tipo de reunião – fora de mobilizações importantes – um número razoável de pessoas compareceu.  Em Vitória da Conquista a assistência foi bastante mais numerosa. Em ambas as reuniões foi notória a assistência de jovens (majoritária no caso de Vitória da Conquista), embora também as velhas gerações tenham tido presença significativa; principalmente dentre os elementos que fizeram parte do «movimento» que esteve na origem da formação / ruptura com o PT, e que parecem ter realizado uma ruptura, mais ou menos completa com esse partido., inclusive um participante do grupo “Refundação Comunista” (que nada tem a ver com o grupo de nome similar da Itália). No caso de Conquista, a participação se viu beneficiada pelo fato de no mesmo dia da reunião estar ocorrendo uma greve de professores da rede municipal  e também dos professores da universidade estadual. Desta maneira, estiveram presentes na reunião professores que se mobilizaram em uma manifestação durante a tarde, assim como estudantes da universidade que não tiveram aulas devido à greve de professores.

As reuniões celebradas foram uma oportunidade para que os assistentes conhecessem as análises de duas organizações marxistas, das mobilizações que realizam as novas gerações de proletários contra a precariedade que a todo custo o capital tenta impor contra a classe operária e o conjunto da sociedade, na França, Brasil e em o todo mundo. Essas reuniões são o melhor meio com que contam os grupos políticos proletários para rebater o “black out” e a tergiversação que faz a burguesia das lutas que a classe realiza contra o capital.

As apresentações

Experiências que embora aparentemente diferentes, distantes na geografia mundial e no tempo, têm muitos elementos em comum que as situam de maneira inequívoca como movimentos no terreno de lutas do proletariado:

  • Sua origem é a mesma: exacerbação da crise do capitalismo, a qual leva de maneira inevitável a  burguesia a acentuar os ataques às condições de vida contra o conjunto do proletariado (ativos e desempregados, velhos e novos proletários); inclusive, como no caso francês do CPE (Contrato do Primeiro Emprego) , a atacar as condições de vida dos futuros proletários.
  • São lutas que transcendem o marco dos movimentos estudantis e de meras reivindicações deste setor, localizando-se de pronto em um marco mais amplo de lutas contra os ataques às condições de vida do proletariado.
  • São movimentos que expressam a reflexão que se está gerando a nível das novas gerações da classe embora de maneira incipiente, de que o capitalismo não pode oferecer nenhuma perspectiva à sociedade; que nenhum governo, seja de direita como o do Chirac na França, ou de esquerda, como o de Lula no Brasil, representa uma saída para empobrecimento que nos impõe o capitalismo.
  • São lutas que tendem a dar-se, de maneira espontânea, seus próprios meios e métodos, fora, e inclusive enfrentando o controle dos sindicatos tradicionais e dos grêmios estudantis. No caso das lutas contra o CPE na França, o movimento se apoiou em assembléias gerais controladas pelos próprios estudantes  As formas organizativas que se dá o movimento perduram só enquanto este expressa uma vitalidade de luta, e desaparecem com seu refluxo.

“A Revolta do Buzu”

Neste contexto, os companheiros da OPOP expuseram a análise e ensinamentos das mobilizações de setembro de 2003 em Salvador contra o aumento da passagem do transporte coletivo. Essas mobilizações,  foram lideradas por jovens alunos dessa cidade, secundaristas em sua maioria e não tiveram a participação de estudantes universitários. Embora este movimento tenha sido pouco divulgado fora do Brasil, teve repercussões importantes em outras cidades do país: Fortaleza, Florianópolis, Rio do Janeiro e São Paulo. Este movimento foi descrito e analisado pela OPOP em seu artigo “Quando “novos” personagens entram em cena”.[1]

Desde seu início, o movimento situou-se como um movimento das massas trabalhadoras em seu conjunto, já que o aumento de passagens decretado pelo governo local afetava por igual trabalhadores ativos ou desempregados. O movimento expressava uma luta das novas gerações, a maioria deles filhos de proletários e eles mesmos futuros proletários, contra a precariedade em que vivem milhões de brasileiros. Em sua apresentação, os companheiros da OPOP, mencionaram o dramático feito de que, segundo declarações das próprias autoridades locais, aproximadamente 55 milhões de brasileiros têm que transitar largas distâncias a pé devido a que não têm ganhos suficientes para pagar o custo da passagem do transporte coletivo!!. Nesse sentido, é perfeitamente compreensível que na medida em que o movimento se estendia e radicalizava, eram maiores as expressões de simpatia do conjunto da população e dos trabalhadores, que viram identificados seus interesses com os dos jovens protagonistas do movimento.

Outra característica deste movimento foi que ele mesmo gerou de maneira espontânea suas próprias lideranças e meios de luta. Os jovens utilizaram como método de pressão as manifestações de rua, o bloqueio das principais vias de Salvador (uma das cidades mais importantes do Brasil.) e as estações de transferência dos ônibus. Os jovens se organizaram em piquetes, que rumavam das instituições educativas para os diferentes locais da cidade; estes piquetes decidiam a duração dos bloqueios e de quais veículos seria permitida a circulação durante as ações. É indubitável que no movimento estiveram presentes os dirigentes dos grêmios estudantis, principalmente das grandes escolas, mas os verdadeiros líderes do movimento emanavam do próprio movimento.

Obviamente, a burguesia teve que tomar medidas ante um movimento que se prolongava no tempo. Em um primeiro momento tentou utilizar as organizações estudantis, que convocaram uma assembléia no ginásio de esportes dos trabalhadores bancários para expor os acordos a que tinham chegado com o governo, com a intenção de fazer abortar o movimento. A assembléia foi pouco concorrida, e os oradores adversários sabotados; enquanto que o movimento continuou nas ruas. Imediatamente, o governo negociou certas “concessões” com os grêmios estudantis e proprietários de empresas de transporte público, mas sem revogar o aumento da passagem, o que permitiu à burguesia criar uma matriz de opinião contrária ao movimento, o que foi debilitando-o.  Isso permitiu ao governo recorrer ao expediente da repressão, que não pôde utilizar quando o movimento estava em plena efervescência.

Embora o movimento não tenha conseguido revogar o aumento do preço da passagem, a “Revolta do Buzu” de 2003 ficou como referência de um movimento liderado pelos jovens, em sua maioria estudantes secundaristas, futuros proletários e inclusive “proletários de meio período”, que segue vivo para o conjunto da classe operária de Salvador e de todo o Brasil.

A luta dos estudantes na França contra o CPE

O recente movimento dos estudantes na França contra o CPE, o qual, tendo uma amplitude maior que a do Buzu e se localizando em um país do chamado “primeiro mundo”, expressa que as novas gerações de atuais e futuros proletários, não estão dispostas a aceitar sem resistir as medidas de precarização que a burguesia tenta impor em todos os países para descarregar os efeitos da crise capitalista sobre as costas das velhas, novas e futuras gerações de proletários. Mencionamos, a seguir, os principais eixos da apresentação “Movimento dos estudantes na França da primavera de 2006: Uma rica experiência para a luta de classes internacional”, a qual pode ser lida na sua totalidade em nosso site na internet.

Em primeiro lugar denunciamos o trabalho de desinformação e tergiversação que desenvolveram as “mídias” burguesas tanto na França como no resto do mundo, para ocultar as verdadeiras características de um movimento, que representa a expressão mais importante dos últimos 15 anos de confrontação entre explorados e exploradores nesse país. Um movimento que gerou manifestações de até 3 milhões de pessoas em um mesmo dia em todo o país, e que forçou a burguesia francesa a retroceder devido às crescentes manifestações de simpatia e solidariedade que se desenvolveram com os jovens em luta, o que abria possibilidades reais de que os trabalhadores ativos também entrassem em luta.

As mobilizações dos estudantes na França se inscrevem de maneira inequívoca nas lutas do proletariado, já que os estudantes lutaram contra medidas que tentavam acentuar a precariedade sobre as novas gerações de proletários. Nesse sentido, não se tratam de meras lutas estudantis, tal como as quis apresentar a burguesia através de suas mídias, mas sim expressam a reflexão que está se dando dentro das novas gerações de que o  que nos oferece o capitalismo como perspectiva é um maior empobrecimento.

A apresentação mostrou como a força deste movimento esteve na sua capacidade de organizar Assembléias Gerais (AG) onde se tomavam as decisões transcendentais, às quais se convidou o conjunto dos trabalhadores, de dentro e de fora das universidades e liceus. As AG foram o verdadeiro “pulmão” do movimento: escolhendo delegados responsáveis ante a ela e revogáveis, promovendo e organizando o mais amplo debate das idéias, nomeando comissões para estender o movimento a outros setores de estudantes e aos trabalhadores ativos. O controle da luta pelos próprios atores, é um dos aspectos chave que  localiza da maneira mas clara este movimento no campo proletário.

A apresentação também analisou como o movimento tratou a questão da violência, tanto a gerada pelos corpos de repressão, como a violência até certo ponto permitida de alguns grupos (ultraminoritários) de jovens dos bairros contra o movimento. O tratamento desta questão foi de primeira ordem para o movimento, pois tratou conscientemente de não cair nas provocações de violência dos corpos de repressão.

Os dois últimos aspectos desenvolvidos na  apresentação estiveram relacionados com as perspectivas que se abrem para a luta do proletariado depois deste importante movimento dos jovens filhos da classe operária. Por uma parte, não se trata de um movimento isolado das mobilizações que a classe realizou do 2003 contra os ataques às condições de aposentadoria e de lutas mas recentes, onde se desenvolveram elementos importantes da solidariedade de classe. Por outra, o movimento dos estudantes na França mostra um passo importante das novas gerações proletárias no desenvolvimento da consciência de classe, colocando em questão, embora de maneira incipiente, a capacidade do sistema capitalista para dar uma saída para os crescentes barbárie e empobrecimento.

As discussões

As discussões foram muito ricas; em ambas as reuniões o tempo foi curto para desenvolver a quantidade de questões que os participantes expuseram. Um aspecto que surpreendeu agradavelmente aos participantes foi que através da apresentação que fez a CCI, perceberam que o movimento na França tinha uma dimensão que a mídia no Brasil (assim como no resto do mundo) tinha tergiversado completamente ao apresentá-los virtualmente como uma continuação das revoltas que aconteceram no país no final de 2005, quando mostravam as cenas de violência e os destroços ocasionados nos bairros periféricos de Paris e outras cidades importantes da França. Vários participantes disseram que os movimentos dos estudantes contra o CPE, foram apresentados pela mídia dando mais  ênfase nas ações de violência e de confrontação contra a polícia.

Outro aspecto que chamou positivamente a atenção dos assistentes foi que o marco que deram ambas as organizações para analisar os movimentos do Buzu e contra o CPE, que lhes permitiu perceber que estes movimentos, onde as novas gerações de proletários foram a vanguarda, não eram acontecimentos isolados no espaço e no tempo, mas sim formam parte de um despertar lento porém  persistente dessa “velha toupeira” do qual falava Marx para referir-se ao movimento subterrâneo que realiza o proletariado, muitas vezes imperceptível, na busca da superação revolucionária do sistema capitalista .

Nesse sentido, ambos os movimentos, inscrevem-se dentro dos que desde 2003 iniciou o proletariado na França e Áustria contra os ataques aos sistemas de aposentadoria social, e as lutas dos trabalhadores do setor público no Brasil contra o mesmo tipo de ataque desferido pelo  governo de esquerda de Lula. Assim como as greves da Mercedes em 2004 na Alemanha, as do metrô de Nova Iorque em 2005 e a dos metalúrgicos de Vigo em maio de 2006 na Espanha, nas quais se destacaram as expressões de solidariedade de classe.

Nas discussões foram expostas diversas questões de interesse, as quais foram respondidas por membros tanto do OPOP como da CCI. Fazemos um resumo das discussões principais que desde nosso ponto de vista se apresentaram:

A espontaneidade do movimento, é algo novo frente aos sindicatos?

Com efeito, uma das características que teve o movimento tanto do Buzu como o das mobilizações contra o CPE foi seu caráter espontâneo; tanto do ponto de vista da forma como surgem, como das formas organizativas que se dá o próprio movimento. Este surge de maneira espontânea como resposta das jovens gerações de futuros proletários ante a precariedade que tenta impor a burguesia através de suas medidas para enfrentar a crise econômica. Também de maneira espontânea, o movimento tende a organizar-se, construindo  seus próprios meios de luta. No caso do movimento dos estudantes na França, puderam constituir AG (assembléias gerais) soberanas com delegados eleitos e revogáveis por esta; comitês de greve; etc, devido à própria dinâmica do movimento e à debilidade das forças de enquadramento sindical nestes setores, a qual obviamente é mais forte nos locais de trabalho. Desta maneira o movimento pôde rebater a ação dos sindicatos e das organizações estudantis, que tendem a manter o movimento dentro dos canais da legalidade burguesa e a controlá-lo para asfixiá-lo.

A espontaneidade não é uma novidade nas lutas do movimento operário. O proletariado desde que começou a constituir-se como classe, luta de maneira espontânea contra as condições de exploração que impõe o capital. Como toda classe revolucionária na história, tende a organizar-se para a defesa de seus interesses; é assim que  surgem os sindicatos no século XIX. Entretanto, quando estes órgãos integraram-se ao estado capitalista no século XX (principalmente mediante o recrutamento do proletariado para as frentes de guerra durante a Primeira Guerra mundial), o proletariado tende a dar-se espontaneamente os meios organizativos para defender seus interesses de classe, cuja máxima expressão em períodos de luta revolucionária são os conselhos operários, formados pela primeira vez na Rússia em 1905. As AG autônomas (quer dizer, controladas pelos próprios operários) que tendem a formar os trabalhadores em sua luta cotidiana contra o capital, são a prefiguração desses conselhos operários que a classe faz surgir  quando sua luta revolucionária a leve a um enfrentamento mas decidido contra o estado capitalista. Neste sentido, os estudantes na França, certamente sem conhecer esta experiência organizativa da classe, de maneira espontânea assumiram formas organizativas de luta genuinamente proletárias.

Agora bem, o fato de que as lutas sejam espontâneas, não quer dizer que são lutas improvisadas, nem fáceis. O surgimento das lutas é o resultado de condições históricas, que se relaciona com o nível da crise capitalista e com o grau de “maturação subterrânea” da consciência que se dá no seio da classe operária, de que o sistema capitalista não é capaz de oferecer saída alguma à humanidade. Por exemplo, por trás das reações dos estudantes contra o CPE, não deixam de estar presentes os ataques que há anos recebe o conjunto do proletariado francês (e mundial) contra a seguridade social, os salários, as pensões, etc. que incide  sobre o conjunto das famílias proletárias. Por outra parte, ante o surgimento de lutas com estas características, que tendem a ficar fora do controle de partidos e sindicatos, a burguesia utiliza todo seu arsenal ideológico e político para tentar controlar o movimento, tal como colocar à cabeça do movimento os partidos, grupos e sindicatos mais “radicais”; tais como os grupos trotskistas ou tendências de sindicalismo de base. Também fazem seu trabalho as “mídias”, sindicatos e partidos tanto de direita como de esquerda; que não duvidam em desconsiderar toda luta que ouse ficar fora de seu controle, e inclusive chegam a estimular ações violentas para desvirtuar o movimento e justificar a repressão. Situação que esteve presente por exemplo no movimento da França do 2006.

Como pode ter continuidade um movimento dessas características?, Qual é o saldo organizativo do movimento na França?

Questão muito importante que esteve presente em ambas  reuniões, que de alguma maneira expressa uma genuína preocupação de classe por conhecer os avanços organizativos que se possam obter de um movimento de uma envergadura e características como o da França, que gerou manifestações de milhões de pessoas, nas quais participaram trabalhadores de várias gerações e inclusive futuros proletários. Possivelmente “estragamos a festa” de alguns participantes, ao lhes dizer que apesar do movimento ter sido capaz de fazer a burguesia francesa recuar, não deixou “como saldo” nenhuma nova organização, nem dentro nem fora dos sindicatos ou organizações estudantis.

Em primeiro lugar é preciso deixar claro que este movimento não se colocou como objetivo “a revolução”, e sim derrotar o CPE, o que se obteve pelo menos temporariamente.

Do ponto de vista organizativo, o movimento, no calor das lutas, gerou diversos meios e formas. Como dissemos, as AG foram “o pulmão” do movimento e em seus debates e decisões expressava sua vitalidade. Mas estas formas organizativas permaneceram enquanto o movimento se manteve com vida e pôde rebater as manobras do governo, partidos e sindicatos (de trabalhadores e de estudantes), em suas tentativas por desbaratá-lo. Ante a envergadura das mobilizações e diante da possibilidade real de que os trabalhadores ativos se juntassem ao movimento, a burguesia revogou o CPE, com o qual o movimento entrou em baixa até desaparecer e com ele as AG e os líderes naturais do movimento.

Possivelmente a expectativa que há por trás de quem formula estas perguntas, seja que de algum jeito o movimento tenha podido gerar novas organizações de defesa de seus interesses de classe, diferentes aos sindicatos, que sejam capazes de permanecer no tempo; já que muitos dos pressente compartilham nossa posição de que os sindicatos são órgãos do capital dentro da classe. Da mesma maneira que os proletários em luta tendem a gerar suas organizações autônomas, estas desaparecem com o refluxo das lutas, tal como aconteceu com o movimento contra o CPE. Isto se deve em parte pela própria dinâmica do movimento, e à pressão que exercem os sindicatos oficiais e não oficiais já estabelecidos. Por outra parte, a experiência do movimento operário mostra que as organizações de poder da classe são capazes de permanecer no tempo, só em períodos pré-revolucionários, quando o proletariado tem a força e consciência capaz de desafiar o poder do estado burguês, tal como o fizeram os conselhos operários na Rússia em 1905 e 1917, e os operários na Alemanha e outros países europeus durante o surgimento da onda revolucionária que se seguiu à Revolução Russa. Fora destes momentos, qualquer organização de classe que permaneça no tempo, é inevitavelmente integrada  ao estado burguês.

Um exemplo significativo desta realidade foi o dos "Cobas" na Itália em 1987. "Cobas" significa comitê de base. A luta dos professores na Itália, em 1987, por fora e contra os sindicatos, levou à constituição dos Cobas que foram os reais órgãos de luta, constituídos de delegados eleitos pelas assembléias de luta. Sob a influencia de organizações de extrema esquerda (como trotskistas), uma parte deles se mantiveram como órgãos representativos dos professores depois da mobilização ter acabado. O que aconteceu é que eles passaram a cumprir a função de novo sindicato, mais radical, ao serviço do estado capitalista

Isto não quer dizer que as lutas do proletariado, e em particular um movimento desta envergadura, não deixem nenhum rastro no seio da classe. O “saldo” que deixou o movimento é fundamentalmente político: como se organizar melhor para futuras lutas; como rebater as manobras do estado, principalmente através de seus sindicatos e partidos, tanto de direita como de esquerda. Mas o principal saldo positivo está ao nível da consciência de classe: de como um movimento que se apóia em suas próprias forças, que desde o começo se esforça por desenvolver a solidariedade de classe entre proletários de diferentes setores (ativos, desempregados e futuros proletários) e de várias gerações, é capaz de desenvolver uma força tal que pode chegar a desafiar ao estado burguês. O grande ensinamento do movimento dos jovens na França é que as novas gerações de proletários não estão dispostas a suportar passivamente a precariedade e o empobrecimento que lhes impõe o capital.

Também um saldo positivo deste movimento são os círculos de discussão e as redes de elementos que se constituíram para tirar as lições do movimento, cujas repercussões possivelmente não sejam percebidas de imediato tanto na França como a nível mundial. As organizações, grupos e elementos que lutamos por uma perspectiva proletária, devemos também desenvolver a reflexão e o debate sobre estes movimentos; tarefa a que a CCI se dedicou com o maior entusiasmo, promovendo, entre outras atividades, reuniões públicas em vários países, tal como as realizadas no Brasil.

Qual é a comparação entre o movimento dos estudantes contra o CPE e as revoltas dos jovens dos bairros a finais de 2005?

Esta questão também foi colocada por vários participantes, e se reveste de muita importância porque tem relação com quais são os métodos de luta do proletariado. Na base de ambos os movimento se encontram a crise do capitalismo, que lança ao desemprego, a precariedade e a exclusão social milhões de jovens; a desesperança que o sistema capitalista oferece aos filhos da classe operária; e a indignação que esta situação gera neles.

Entretanto, há dois aspectos que mostram uma diferença fundamental entre os dois movimentos: a questão dos métodos de luta e a questão da solidariedade. Neste sentido, dissemos na apresentação:

"Entretanto, as revoltas dos subúrbios, devido a que expressam fundamentalmente um desespero total diante dessa situação, não podem ser consideradas como uma forma, embora aproximada, da luta de classes. Em particular, os componentes essenciais dos movimentos do proletariado – a solidariedade, a organização, o controle coletivo e consciente da luta em suas próprias mãos – não só estiveram totalmente ausentes nas revoltas, mas também foram negados."

O movimento dos estudantes foi viva lição de como um movimento que utiliza métodos proletários de luta pode apontar uma perspectiva aos jovens e camadas desesperadas da população, que utilizam a revolta para expressar sua indignação. Assim, os jovens dos subúrbios que participaram nas manifestações assumiram métodos de luta totalmente contrários aos das revoltas de 2005.

Foram alguns grupos de jovens dos bairros, provavelmente manipulados pelo estado, que participaram em ações violentas de enfrentamento contra a polícia e que em algumas oportunidades chegaram a atacar aos manifestantes. Entretanto, perante eles a resposta do movimento não foi recorrer ao “olho por olho; dente por dente”, mas sim  o movimento, em alguns lugares, decidiu enviar delegações aos subúrbios para explicar aos  jovens que a luta contra o CPE era também uma luta a seu favor, pois atacava as medidas impostas  pelo estado que aumentam o desemprego e a exclusão social.

A discussão permitiu esclarecer que o proletariado em sua luta não pode recorrer a qualquer método de luta, que a revolução proletária é sobretudo construtiva e que não pode utilizar o ressentimento social e o espírito de vingança como motivações para a luta. Insistiu-se em que todo movimento de classe é identificado pela solidariedade e a não pela violência no seio da própria classe operária.

Como se compara este movimento dos estudantes de 2006 com o de maio de 1968?

Também esta questão foi levantada, em particular por alguns dos participantes que conheceram e foram influenciados pelos movimentos de maio de 1968 na França.

Ambos  movimentos são expressão de movimentos sociais que de algum jeito anunciam uma mudança importante ao nível da luta de classes. Maio de 68 abriu uma dinâmica de luta de classes que se estendeu até os anos 80, através de numerosas e importantes lutas em vários países: o outono quente da Itália em 1969, o Cordobazo na Argentina no mesmo ano, as lutas na Espanha e outros países da Europa nos anos 70; a muito importante e significativa greve de massas dos operários poloneses de 1980, etc. Nesse sentido as repercussões das mobilizações contra o CPE transcendem as fronteiras da França (a apresentação mencionou que como uma conseqüência das mobilizações dos estudantes na França, a burguesia alemã tinha decidido propor a aplicação de medidas similares).

A base de ambos movimentos está na crise inexorável do capitalismo. Entretanto, há uma diferença importante entre um e outro: em maio de 68 a crise capitalista apenas fazia de novo sua aparição depois das décadas de “bonança” que se seguiram à II Guerra Mundial, enquanto que o movimento do 2006 se dá em um contexto de várias décadas de crise do capitalismo, que golpeou sem cessar as condições de vida das famílias proletárias e fez crescer de maneira exponencial as camadas de setores excluídos sociais. Nesse sentido, os jovens que protestavam em 1968 não sentiam o peso da crise tal como os jovens que hoje protestam contra o CPE; por isso não se consignam neste último palavras de ordens um tanto fantasiosas, como  “abaixo a sociedade de consumo” ou  “parem o mundo que eu quero descer”, que tiveram muita ressonância em 68.

Movimentos como o dos estudantes contra o CPE expressam um maior grau de maturidade das novas gerações de proletários, que se questionam acerca do futuro que lhes oferece esta sociedade. O fato de que os jovens decidam “entrar em cena” e opor-se à precariedade é uma característica significativa do período atual comparado com  1968. É por isso que o movimento dos estudantes da França,  igual ao do Buzu, rompe com os esquemas dos “movimentos estudantis” tradicionais que na maioria dos casos defendem reivindicações meramente corporativas, imersos em um meio interclassista e inclusive nacionalista. Movimentos como os do 2006, apesar de suas limitações, expressam um inequívoco caráter de classe  que deve ser saudado.

Não existiu uma semelhança na atitude dos sindicatos na luta contra o CPE e nas lutas de 1936 na França que foram concluídas pelos acordos Matignon?

Para poder comparar a atitude dos sindicatos nestes dois momentos particulares, é necessário analisar o contexto em que se deram tais acontecimentos. Para isso teremos que voltar ao significado de maio de 68. Aquele acontecimento expressou uma ruptura na dinâmica mundial da luta de classe. Como já dissemos, 68 abriu um período de desenvolvimento da luta de classe. O que significa isso ? Que antes de 68 não havia lutas dos operários? De  maneira nenhuma. A realidade demonstrou o contrario. O que foi diferente antes e depois de 68, foi a dinâmica de desenvolvimento da consciência na classe operária. Depois de 68, o desenvolvimento da luta de classe a nível mundial contribuiu para aprofundar a consciência de classe sobre varias questões essenciais como a natureza capitalista do regimes ditos socialistas, o papel dos sindicatos contra a luta de classe, a natureza burguesa dos partidos socialistas e comunistas, a função das eleições, etc. Era uma dinâmica de marcha para confrontações massivas entre as classes.

Ao contrario disso, a derrota da onda revolucionaria mundial de 1917-23 provocou um recuo geral na consciência da classe operária sobre questões essenciais, o que demonstrou o alistamento dos operários na Guerra mundial e sua adesão aos discursos nacionalistas de cada burguesia nacional. Ao contrario da Primeira guerra mundial, a classe operaria não foi capaz, através de sua luta revolucionaria, de colocar um termo final à Segunda ; e depois desta última, ela continuou sofrendo uma exploração acentuada, sem ter a capacidade de questionar , mesmo embrionariamente , a exploração capitalista através das suas lutas.

Era uma dinâmica de submissão crescente dos operários à ordem capitalista.

Em ambos casos, o papel dos sindicatos foi de atuar a favor da ordem capitalista : durante a contra-revolução para enfraquecer mais ainda a luta e a consciência da classe operária ; depois de 68 para tentar impedir seu desenvolvimento. Nas lutas de maio de 36, os sindicatos conseguiram fazer o que teria perecido inimaginável menos de 20 anos antes : que as manifestações operárias desfilassem atrás das bandeiras vermelha e da França! Os sindicatos celebraram os acordos de Grenelle como se fosse uma grande vitória da classe operária enquanto esta semelhança de vitória (pouco tempo depois, as concessões já foram anuladas pelo capital) só serviu para levar os operários a se identificarem com o interesse nacional, inclusive para defendê-lo na Guerra mundial. Os sindicatos tiveram um controle perfeito das lutas de maio de 36, enquanto o movimento contra o CPE conseguiu em muitos aspectos importantes manter-se  fora  do seu controle direito. Mas em ambos casos, os sindicatos atuaram como inimigos da classe operaria, que realmente são.

Quais foram as tentativas da esquerda na França para  retomar o movimento?

Aguda e interessante pergunta que foi colocada por um dos participantes. É indubitável que um movimento destas dimensões, que surpreendeu à própria burguesia francesa e pôs a nu sua estupidez e suas contradições, não podia ser deixado a seu livre desenvolvimento. Por isso, a burguesia através de seus meios e seus órgãos de controle (sindicatos e partidos de direita e esquerda) tratou de explorar as debilidades de um movimento, cuja maioria participava de uma luta pela primeira  vez.

O movimento teve muitas ilusões a respeito do verdadeiro papel dos sindicatos. Em sua busca de solidariedade dos trabalhadores ativos, várias  decisões das AG neste sentido foram desvirtuadas em chamados aos sindicatos para que estes convocassem os trabalhadores à luta. Também foram desvirtuadas as aspirações dos estudantes, através de chamadas dos sindicatos à “greve geral”. Estas ilusões foram alimentadas por grupos supostamente “radicais” aos olhos dos estudantes, tais como os grupos trotskistas como a “Liga Comunista Revolucionária”. Estes grupos, de maneira bastante inteligente controlaram progressivamente os órgãos de coordenação do movimento, onde “filtravam” e manipulavam os acordos das AG; situação que o movimento não controlava.

Também os partidos da esquerda tradicional francesa (PS, PCF, etc.),  a quem não restou outro caminho que “apoiar” o movimento, além de mobilizar a sua máquina sindical para tentar controlar o movimento, introduziram o veneno da ideologia da democracia burguesa, fazendo colocações alusivas à incapacidade de Chirac e da direita, propondo-se como a melhor opção para assumir o governo nas eleições presidenciais de 2007.

Também nas universidades estiveram presentes as ideologias dos grupos altermundialistas, tais como ATTAC, denunciando a globalização e as políticas neoliberais como as causadoras da pobreza no mundo, abrindo as portas à ilusão de que pode existir um capitalismo “bom” com políticas econômicas “mais humanas”. Tampouco deixaram de estar presentes intervenções de quem mostrava seu apoio a Chávez, Evo Morales e Lula, precisamente os responsáveis por levar adiante os planos que empobrecem os trabalhadores e  o conjunto da população de seus respectivos países.

Estas ilusões deverão ser submetidas à crítica, como resultado da reflexão e discussão de quem participou no movimento e se propõe fazer um balanço deste movimento. Também devem fazer parte da reflexão dos elementos e grupos mais politizados da classe.

Também nas discussões foram apresentados outros aspectos não diretamente ligados  ao tema de discussão:

Representam projetos como o do chavismo uma saída para a crise atual?

De maneira nenhuma. A crise atual tem sua gênese nas próprias contradições do modo de produção capitalista, e o chavismo é um governo burguês, tal como o são os governos de Chirac na França, de Lula no Brasil ou de Bush no EUA. Todos eles são governos que se sustentam na exploração da classe operária. O projeto chavista surgiu como uma necessidade da burguesia venezuelana, depois do esgotamento e decomposição dos partidos social-democratas e social-cristãos que governaram a Venezuela durante as 4 últimas décadas do século passado. O esgotamento dos partidos tradicionais da burguesia, é o que está na base da ascensão de governos de esquerda a nível mundial, tais como o de Lula, Kirchner, etc., para só mencionar casos da América Latina.

A particularidade da "revolução bolivariana" de Chávez reside em que é tal o grau de decomposição e debilidade da burguesia venezuelana, que não teve a capacidade de impedir o surgimento de um governo populista de esquerda de corte “radical”, que conseguiu colocar no poder a uma “nova” burguesia, que tenta excluir os setores burgueses que governaram no passado, sustentada no apoio das camadas mais excluídas da sociedade. Embora o populismo seja um recurso ao qual recorre qualquer burguesia,  seja de direita ou esquerda em momentos de crise política e econômica, os setores mais conscientes da burguesia tendem a contestar suas expressões mais “radicais”, já que uma burguesia nacional dividida fica debilitada para enfrentar a crise capitalista. Na medida em que uma burguesia é mais forte, existem menos possibilidades de que emirjam governos de corte populista radical. Observa-se, por exemplo, nos governos de Lula e Kirchner, que embora flertem com o populismo, mantenham a coesão no seio da burguesia. Neste sentido, há menos possibilidades de que surjam governos deste corte em países como a França ou em outros países industrializados, onde as classes burguesas são historicamente mais fortes.

Outra particularidade do chavismo é seu frenético “antiimperialismo”, fonte de admiração a nível mundial de setores da esquerda, esquerdistas e altermundialistas. A burguesia chavista no poder soube explorar a seu favor as debilidades e dificuldades do EUA em sua política imperialista a nível mundial, para desenvolver sua própria política imperialista para seu “pátio de trás” (O Caribe, América Central e alguns países Sul-Americanos) sustentada nos altos ganhos petroleiros. Não nos surpreende este apoio de esquerdistas e altermundialistas à burguesia chavista, pois para eles existe um único imperialismo, o do EUA. Por isso estão dispostos a apoiar a qualquer governo ou setor que se oponha a Bush, ainda que este tenha as mãos cheias de sangue tal como a burguesia americana. A eles terá que lhes dizer que o  governo “antiBush” de Chávez nunca deixou de fornecer petróleo ao EUA nem de pagar a dívida externa, da qual os bancos americanos são os principais credores. O “antiamericanismo” de Chávez é uma armadilha “caça bobos” para tentar confundir os elementos e grupos que de maneira honesta se opõem à política imperialista dos EUA, para tentar ocultar que no capitalismo decadente, todo país em maior ou menor grau, tende a desenvolver sua própria política imperialista.

Outro ponto “a favor” da “revolução bolivariana” de Chávez são suas supostas tentativas a favor da eliminação da pobreza. Mediante uma política sustentada na promoção e financiamento pelo estado do cooperativismo, da co-gestão e da autogestão, o chavismo desenvolve a precariedade e flexibilização trabalhista, pois estes modelos de gestão tão apreciados por anarquistas e altermundialistas, servem para camuflar relações de exploração apoiadas em salários de fome sem que os trabalhadores tenham os benefícios que prevê a própria legalidade trabalhista. Neste sentido, o governo do Chávez desenvolve uma política tão exploradora e “neoliberal” como a que realiza a burguesia norte-americana e  as outras burguesias do mundo.

Não é correto ficar dentro do PT para assumir a responsabilidade de defendê-lo contra a influencia crescente da burguesia no seu seio ?

A atitude a adotar diante da degenerescência de uma organização do proletariado é uma questão muito séria. Com efeito, a responsabilidade dos revolucionários é de levar o combate até o fim contra a influência crescente da ideologia burguesa dentro de uma organização realmente proletária. "Até o fim" pode significar até a vitória contra o oportunismo, ou  pelo contrario, até não existir mais nenhuma vida operária dentro do partido, melhor dizendo nenhuma possibilidade de levar ao bom caminho o partido definitivamente passado  para o campo do inimigo de classe. Esse  combate é o que foi assumido pelas frações de esquerda dentro dos partidos degenerescentes social-democratas e depois comunistas.

Será que isso se aplica também ao PT? De jeito nenhum  por uma razão muito  simples; ele nunca foi um partido da classe operária. Ele nasceu burguês e continuará burguês. Ele não surgiu como instrumento da luta do proletariado, como os partidos social-democratas ou comunistas antes de trair, mas como uma mera criação do estado burguês no intento de institucionalizar  a luta de classe para enfraquecê-la.

A importância destes espaços proletários

Estas foram as palavras de um dos participantes na reunião pública; mas, era o espírito que se sentia entre os participantes depois de finalizadas as reuniões. Tanto a CCI como a OPOP compartilhamos este espírito e nos sentimos altamente motivados a seguir trabalhando em conjunto para que estes “espaços proletários” se mantenham e se desenvolvam. Apesar dos aspectos pendentes por discutir entre ambas organizações, no fundamental se mostrou um acordo com as respostas que se deram aos diversos pontos expressos pelos assistentes.

Uma vez mais a CCI agradece aos companheiros da OPOP a sua dedicação e entusiasmo na organização destas reuniões, sem os quais elas não poderiam ser realizadas. Mas, sobretudo, agradecemos aos companheiros que responderam ao nosso chamado, que mediante suas intervenções contribuem para a construção de uma perspectiva proletária mundial. Convidamo-lhes a que participem das próximas reuniões que iremos realizar (no mês de setembro) e que enviem seus comentários acerca do balanço que fizemos deste importante encontro do proletariado que se realizou no Brasil em maio de 2006.

CCI (08-07-06)


[1] Este artigo será publicado brevemente no site da CCI, junto com outros artigos da OPOP. Para conhecer vários de seus artigos, visitar seu site: http://sites.uol.com.br/opop.